Açúcar, fruta e gratidão


“Eu sou uma doceira que não tem doce em casa. Graças a Deus tudo que eu faço sai rapidinho. Não fica estoque”, comemora Weslaine Cavalhaes que transformou a vida depois de curso do Senar Goiás

Ela era diarista. Orçamento apertado para sustentar as duas filhas. Situação um tanto amarga, que não tirava o gosto pelo conhecimento. Assim era a vida da Weslaine Cavalhaes, moradora da cidade de Itauçu, a 71 km de Goiânia. Mas em 2016, já no final do ano, ela recebeu um convite. “O Marcus Fofão, como é conhecido o presidente do Sindicato Rural de Itauçu, e a Wanessa que trabalha lá, falaram que ia ter um curso do Senar Goiás para aprender a fazer doce. Eu sempre gostei disso. Mas só fazia em casa. Fui porque é sempre bom a gente aprender coisas novas, aperfeiçoar. Mal sabia eu que dali, além de aprender a fazer doces, sairia com uma nova profissão”, relembra.

Em três dias de curso ela aprendeu a fazer doces cristalizados, pastosos e compotas. Mas se identificou com os cristalizados. Nas aulas Weslaine conheceu novas técnicas e deixou alguns ‘truques’ que não davam o resultado desejado. “Eu achava que colocar bicarbonato de sódio ajudava a fazer aquela película que deixa o doce crocante por fora e macio por dentro. Aprendi que com a cal virgem o resultado é muito melhor. Hoje faço um doce suave, macio, no ponto e muito bonito”, descreve.

Assim que terminou o curso, ela trocou o material da faxina por panelas e tachos de cobre. E as frutas coloriram a cozinha. Mamão verde, maduro, abóbora, figo, banana, abacaxi, entre outros ingredientes. Na receita, além do açúcar, o amor e o capricho que ela colocava em cada bandeja, conquistaram quem ia às feiras de Taquaral, Itaberaí e Itaguari. Nesses lugares se firmou a doceira Weslaine, que hoje recebe várias encomendas. “Eu sou uma doceira que não tem doce em casa. Graças a Deus tudo que eu faço sai rapidinho. Não fica estoque”, comemora.

São no mínimo 40 bandejas de doces vendidas toda semana, a preços que variam de R$ 12,00 a R$ 15,00. Ela até já gera renda para outras pessoas. Quando a encomenda é grande, contrata pessoas para ajudar. Com o dinheiro dos doces, Weslaine educa as filhas de cinco e 11 anos e faz passeios. “Quando eu era diarista, eu não viajava. Era muito aperto. Com os doces eu já levei as meninas para passar o fim de semana em Caldas Novas. A gente tem bem mais qualidade de vida”, explica.

Generosa, a doceira quer que o conhecimento repassado por meio do Senar Goiás adoce a vida de mais gente. “No ano passado, ia ter novamente esse curso na cidade, mas o pessoal estava sem lugar. Eu abri minha casa. Lá tem tudo, panelas apropriadas. Falei vamos todo mundo para lá e muita gente aprendeu a fazer doce e a enxergar outras possibilidades na vida. E é isso que o Senar Goiás faz. São técnicos com tanto conhecimento, com tanto jeito para ensinar que nos motiva. Açúcar, fruta e gratidão são, com certeza, minha melhor receita”, conclui.

Produção Artesanal de Doces

O Curso Produção Artesanal de Doces do Senar Goiás tem 32 horas. O aluno aprende a importância da higiene e segurança no processamento de alimentos, aproveitamento e processamento correto dos alimentos, produção artesanal de compotas (doce em calda), classificação das caldas, produção Artesanal de Pectina, produção artesanal de geleias, produção artesanal de doce pastoso, produção artesanal de doces cristalizados, técnicas de armazenamento e prazos de validade. “Podemos dizer que este treinamento é um resgate de receitas antigas e tradicionais da zona rural do nosso estado. Vejo ainda como uma ótima oportunidade para melhorar a renda familiar, através da comercialização destes produtos, sendo que as pessoas estão cada dia mais, valorizando e buscando alimentos produzidos de maneira artesanal e procurando resgatar doces lembranças do passado”, descreve o instrutor do Senar Goiás, Fernando Soares de Almeida.

 Texto: Revana Oliveira 

Fotos: Arquivo pessoal