Agronegócio precisa melhorar comunicação com a sociedade

Se a geração X viu nascer a internet e a tecnologia, a geração Y já nasceu quando estas estavam plenamente desenvolvidas e cresceram internalizando-as como parte de si. Hoje, essa geração forma um grupo de consumidores exigentes, informados e com peso na tomada de decisões de compra. Eles estão assumindo cargos de diretoria nas empresas, formando famílias e, portanto, passando a se tornarem tomadores de decisão. 

Por isso, é importante que o agronegócio saiba se comunicar com essa geração. Com o crescente interesse na rastreabilidade do que consome, essas pessoas querem transparência, sustentabilidade e bem-estar animal. Enquanto o setor não aprende a se comunicar com esse grupo, ativistas extremos se utilizam de fake news e informações distorcidas para manchar a reputação dos produtores de alimentos. “É preciso trabalhar a informação para que ela chegue correta no consumidor, e não aquele dado que não possui rigor científico”, explana Adolfo Fontes, analista do Rabobank, durante o 14º Encontro de Confinamento, Gestão Estratégica e Econômica, realizado de 12 a 14 de março em Ribeirão Preto (SP). 

Maurício Velloso, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e atual presidente da Assocon, acredita que o desafio de informar o consumidor é dos produtores, entidades representativas e, principalmente, do governo. “A gestão federal brasileira vem atuando muito mal nessa forma de construir a imagem não só da carne, mas do processo de produção da mesma”, enfatiza. 

No final de 2018, ele conta, um grupo da Embrapa e do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) estiveram em um fórum na Colômbia apresentando todos os dados relativos à sustentabilidade da pecuária brasileira, “provando de forma definitiva que o sistema nacional é o mais sustentável do planeta e que gera muito crédito em carbono”.  

Velloso ressalta que, entretanto, não vê o governo brasileiro usar estas informações como defesa quando é atacado por outros países. “Se eles [outros países] se dizem sustentáveis, então precisam comprar produtos agropecuários brasileiros. O sistema de plantio direto que fazemos é extraordinário, deveria estar sendo comunicado aos quatro cantos do planeta como uma das melhores descobertas da humanidade”, pontua.  

Para ele, temos todas as virtudes necessárias para sensibilizar os consumidores de todo o planeta. No entanto, é preciso um esforço mais consistente do poder público - e isso vai além de um único mandato, para que todos admirem o trabalho extraordinário feito pelo brasileiro. “Existem pessoas corruptas em todos os lugares, mas eu garanto que, em sua vasta maioria, o agricultor e pecuarista brasileiro está entre os mais responsáveis do mundo. Não podemos perder uma só oportunidade de dizer que nosso País produz a carne mais segura e saudável, sendo também uma das mais saborosas do planeta”, finaliza Velloso. 

Com realização da Coan Consultoria em parceria com SBA, o 14º Encontro de Confinamento, Gestão Técnica e Econômica tem a feed&food como mídia oficial e explora temas que vão desde economia e mercado, passando por gestão e manejo, inovações tecnológicas, até a engorda. Aproveite e siga a feed&food nas redes sociais para ficar por dentro da cobertura exclusiva: 

Fonte: Feed&Food

Imagem: divulgação

Comunicação Sistema Faeg/ Senar