Começa o plantio da Soja em Goiás

O plantio da soja em Goiás, São Paulo e Minas deve ser iniciado nesta semana. Terminado o vazio sanitário nessas regiões, no último dia de setembro, sojicultores estão animados com a próxima safra. Tanto que muitos deles continuam a avançar com o plantio da oleaginosa em Rondônia, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Paraná. Em Goiás, São Paulo e em Minas Gerais, diversas áreas já apresentam volumes de chuva acumulada, superiores a 80 milímetros. Por outro lado, a disparidade entre as ofertas de compradores e os pedidos de vendedores de soja cresceu nos últimos dias, influenciada pela desvalorização do dólar frente ao Real. Mas a soja já colhida tem como empecilho às negociações a logística, mesmo diante do ânimo dos compradores com interesse em negociar.

Segundo colaboradores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq/USP), a logística é um dos entraves aos fechamentos. Por outro lado, vendedores se mostram capitalizados e sem necessidade imediata de comercializar – muitos não têm volume disponível para venda. Entre 21 e 28 de setembro, o Indicador Esalq/BM&FBovespa da soja Paranaguá (PR) permaneceu praticamente estável (-0,1%), a R$ 95,62, a saca de 60 quilos, na sexta-feira, 28. No mesmo comparativo, o Indicador Cepea/Esalq Paraná teve ligeira queda de 0,6%, a R$ 88,99, a saca de 60 quilos, no dia 28. As médias destes Indicadores em setembro estiveram 6,2% maiores que as de agosto e as mais altas desde julho/16, em termos reais (IGP-DI de ago/18).

Clima – Áreas de instabilidade associadas à presença de uma frente fria no Sul mantêm o tempo bastante instável. Com isso, pancadas de chuva, mesmo que de forma irregular, continuem a ocorrer. Apesar de tal padrão meteorológico, ainda não se pode falar que o regime de chuva já está totalmente consolidado no Brasil. Pelo contrário. As precipitações irão ocorrer ao longo de toda a primeira quinzena de outubro, ainda na forma de pancadas irregulares. Em diversas microrregiões ainda ocorrerá uma ausência e baixíssimos volumes de chuva. No entanto, é fato que diferente do que ocorreu no ano passado, em que houve chuva na virada de setembro para outubro e depois um grande veranico, com a chuva só retornando no final do mês de outubro, esse ano será bem diferente.



O alerta meteorológico desta semana chama a total atenção dos produtores de soja, que mesmo com previsão de chuva é necessário tomar cuidado, pois não é previsto que ocorra chuva frequente nos próximos dias. Isto é, pode ser registrado chuva em seus talhões, mas não é certeza que ocorram novas precipitações, novamente sobre as mesmas áreas. Para a cultura da cana-de-açúcar, a instabilidade vai ocorrer de forma um pouco mais generalizada, sobretudo em São Paulo, em que irá atrapalhar o pleno andamento da colheita. Entretanto, essas precipitações irão beneficiar a manutenção da umidade do solo e garantir que as condições sejam razoáveis ao desenvolvimento dos canaviais, que serão colhidos ao longo de 2019.

Nas áreas cafeeiras de São Paulo, norte do Paraná e sul de Minas Gerais, o mesmo ocorre. O problema é nas regiões do triângulo e do cerrado mineiro, em que a chuva está muito irregular. Com isso, já há indícios de algumas perdas no pegamento da florada. Mas ainda é muito cedo para fazer qualquer diagnóstico de prejuízo ao setor. Para os produtores de arroz da metade sul do Rio Grande do Sul, a instabilidade que está sobre a região desde a semana passada tem inviabilizado não só o plantio, mas todas as atividades de campo. Além disso, em muitas regiões, os volumes de chuva estão extremamente elevados, com registros de fortes temporais e prejuízos tanto no campo quanto nos meios urbanos.

Para os próximos dias, há previsão de que ocorra chuva forte em boa parte da região, mantendo as condições desfavoráveis ao plantio do arroz. Além disso, os produtores de trigo também devem se preocupar com a chuva que ocorre em suas lavouras, já que os volumes acumulados poderão ser superiores aos 50 milímetros.


Informações:Portal Revista Safra e  Climatempo e Cepea/USP

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