De gole em gole, mercado da cerveja reúne campo e cidade



Produção de cerveja artesanal ganha impulso em Goiás, cria novas oportunidades para produtores rurais e conquista consumidores

Goiás possui o maior número de cervejarias artesanais do Centro-Oeste e é o sétimo estado do País em número de empreendimentos que produzem cerveja. De gole em gole, o consumo do produto artesanal tem conquistado um público que busca produtos diferenciados, o que cresce juntamente com a oferta, a ponto de ser considerado um dos negócios com maior tendência de crescimento e com impacto que vai do campo à cidade. Conforme aumenta a produção, a necessidade de buscar matéria-prima local também cresce e esbarra na escassez. 

Há oportunidades da produção de insumos até o comércio do produto. “Esse mercado passa pela mudança de hábito do consumidor. Há busca por produto de maior qualidade”, explica o diretor presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Goiás (Acerva Goiana), Henrique Augusto Martins. Ele lembra que até as grandes indústrias de cerveja já se atentaram para isso. Oficialmente, segundo o Ministério de Agricultura, Goiás possui 25 cervejarias. Porém, o número pode ser bem maior, porque há as chamadas “ciganas”, que não possuem registro.  

Essas empresas são legalmente constituídas, mas não têm estrutura de produção própria. Realizam a produção em fábricas terceirizadas que estão registradas no ministério. Esse é o caso da Cervejaria Lola, da qual Martins é proprietário. “Não tenho planta industrial, loco para produzir. A gente esbarra nisso por questão de valores, porque o investimento é alto”, diz ao lembrar que mesmo assim, de dez anos para cá, o País viveu um salto na área. Passou de menos de cem para 835 unidades produtoras. Outro fator que chama atenção é que a matéria-prima em boa parte é importada. 

São quatro elementos básicos para fazer a cerveja: água, cereal (cevada ou trigo), lúpulo e fermento. A produção de malte é pequena no Brasil, o lúpulo é importado e precisa de condições específicas para ser produzido, mas já há iniciativas isoladas para atender essa base da bebida, como explica Martins. Entre os poucos no Brasil a aproveitar a oportunidade que esse mercado oferece está a Fazenda Vargem, em Vianópolis, onde se planta trigo desde a década de 1980.