Produtores esperam chuvas para diminuir riscos de perdas

missao eua 27 106Localizada no município de Champaign, a propriedade possui 330 acres (145 hectares), e é apenas uma das fazendas do grupo, que no total planta uma área de 3000 acres (1320 hectares) no estado de Illinois, meio norte americano. As propriedades do grupo são administradas por Jack Murray, de 57 anos e seu filho Chris Murray, de 32.  Colaboram também na condução das fazendas mais um filho de Jack e um sobrinho, sendo este todo o quadro de funcionários da empresa. Apenas em épocas mais corridas de colheita os proprietários utilizam mão de obra externa, contratando um ou dois operadores de máquinas para trabalho temporário.  

O proprietário é cooperado da empresa Pioneer, multiplicando sementes de soja e milho. A região costuma ter um bom regime de chuvas, sendo que apenas dez por cento da área da propriedade possui irrigação, sendo esta utilizada exclusivamente na produção de milho semente. Além de multiplicar as sementes para Pioneer, o produtor possui uma revenda, comercializando sua produção de sementes para outros produtores e empresas e também presta assistência técnica aos clientes.

Um dos questionamentos realizados pelos produtores e consultores brasileiros foi sobre o preço das sementes de milho e soja. Segundo Jack Murray, para plantar um acre de soja o custo da semente fica em torno de US$ 70,00 por acre (R$ 160,00 por hectare), enquanto que para o milho o custo chega a US$ 110,00 por acre (R$ 250,00 por hectare). Nesta fazenda também foi visitado um campo de difusão de novas cultivares de soja e milho, onde foram vistos as novas biotecnologias utilizadas nos Estados Unidos, destaque para as tecnologias de controle de pragas de solo e parte aérea no milho, doenças radiculares na soja e as tecnologias de tolerância a seca também na cultura do milho.  

Os produtores brasileiros também fizeram questionamentos sobre os principais problemas fitossanitários enfrentados pelos produtores americanos. Chris Murray, gerente de produção e filho do proprietário da fazenda, informou que dentre os problemas enfrentados, os que mais preocupam são as pragas e doenças radiculares e de colmo, devido à alta incidência de fungos e insetos no solo. Estes problemas são controlados principalmente mediante à utilização de biotecnologias genéticas e tratamento de sementes. Aplicações aéreas são utilizadas em menor número do que na maior parte do Brasil, principalmente devido ao clima temperado americano e o período de inverno com baixas temperaturas. 

Quanto ao custo total de produção, Chris Murray informou aos produtores brasileiros que para a cultura do milho, o custo gira em torno de US$ 575,00 por acre (R$ 1305,00 por hectare) enquanto que para a soja o custo médio é de US$ 380,00 por acre (R$ 860,00 por hectare).

Jack diz que há 25 anos a região fazia rotação de cultura em uma proporção de 50% em lavouras de milho e outros 50% para soja e que hoje a realidade é diferente, chegando a 65% de milho, principalmente devido aos incentivos financeiros e governamentais à produção de etanol.

missao eua 27 112Cooperativismo e Seguro Agrícola

Questionado sobre como funciona o associativismo na região, Jack Murray informou que é o presidente da maior cooperativa de comercialização do estado de Illinois. Segundo ele, na região 70% da safra é comercializada junto às cooperativas regionais, enquanto o restante é feita de forma individual pelos produtores diretamente com as grandes traders, como Cargill e Bunge. Outro papel fundamental das cooperativas é a de prestadora de serviços aos produtores rurais, oferecendo além de auxílio na comercialização dos grãos, oferta de insumos agrícolas e serviços de assistência técnica. 

Sobre as políticas de incentivo governamentais, Jack e Chris Murray comentaram que nos Estados Unidos há um forte seguro federal para as lavouras de grãos. Este seguro tem um custo médio variável dependendo do valor de cobertura segurada. No caso desta fazenda a modalidade de seguro utilizada garante 80% da produção, sendo esta calculada frente a média dos últimos 10 anos de produção. Para este nível de seguro o custo médio é de aproximadamente US$ 30,00 por acre (R$ 68,00 por hectare). 

Seca

O proprietário também ressaltou que a região está há 35 dias sem chuva, mas que aguarda a chegada do fenômeno natural para os próximos dias. Segundo ele, ano passado foram mais de 65 dias sem chuva no país, o que acarretou uma das maiores perdas históricas de produtividade na safra norte-americana. Ele ainda explicou que mesmo com os problemas climáticos, os produtores não enfrentam prejuízos financeiros devido às políticas de seguro rural utilizadas.  

Sobre a estimativa da produtividade da fazenda para esta safra, o produtor Jack Murray afirmou que eram esperados no início do plantio em média 220 bushels de milho por acre (214 sacas/hectare) e 60 bushels de soja por acre (58 sacas/hectares), mas que após este período seco, a produtividade média deve se concretizar em 180 bushels de milho por acre (175 sacas/hectare) e 45 ou 50 bushels de soja por acre (43 a 48 sacas/hectare).

O agrônomo e consultor técnico da região da Estrada de Ferro de Goiás, Carlos André Alves Pinto, acompanha a missão e logo que pôde tratou de entrar na lavoura e observar a soja produzida propriedade visitada e, principalmente, a raiz da oleaginosa. “Queria ver se a seca estava prejudicando a planta ou não. Ver o desenvolvimento radicular. Se a soja estava enchendo o grão ainda, se faltava muito espaço nos grãos? Precisava ver as características fisiológicas e morfológicas da planta que ainda está em fase de definição. Eles terão perda devido à seca, mas só não sabemos precisar onde e quanto”, explicou.

Fotos: Cleiber Di Ribeiro.