Motocicletas e quadriciclos deixaram de ser veículos apenas das cidades e invadiram o campo

Extrair o melhor do tempo é o que muitos desejam. Assim, é possível potencializar atividades, tanto no campo quanto na cidade. Uma opção que chegou para impulsionar o agronegócio é a utilização de quadriciclos e motos no meio rural. Segundo o gerente Comercial da Polaris Agromoto, Cezar Arthuri Júnior, o objetivo é agilizar os processos, com baixo custo. “A ordem é focar mais em resultados, por isso a inclusão de quadriciclos, motos e veículo utilitário terrestres nesse ramo,” explica.

Antes da introdução dessa tecnologia, os produtores rurais contavam somente com o cavalo e a veículos como caminhonete no auxílio dos trabalhos. Hoje, o empresário e agropecuarista Rafael Faria Cascão, que tem propriedades em Palmeiras de Goiás (GO), é um exemplo que tudo pode ser modificado no campo. “Já tinha visto os veículos sendo utilizados em propriedades fora do País e a partir do momento que fiz um test-drive, resolvi adquirir. A principal funcionalidade dos meus quadriciclos é a agilidade na utilização para o serviço, porque, afinal, tempo é dinheiro. Serviços pequenos, que eu precisava utilizar um trator ou até mesmo a minha caminhonete, eu faço com eles agora,” diz o empresário.

Vantagens técnicas

Cascão adquiriu recentemente um modelo Polaris Ranger 570, que possui 44 cavalos de potência, sistema de tração real AWD sob demanda, com desbloqueio do diferencial traseiro. O veículo tem capacidade de reboque de 680,4 quilos e curso de suspensão de 22,9 cm na dianteira e 25,4 cm na traseira. É ideal para atividade no campo ou para o lazer. O utilitário também apresenta novo design e motorização, possui transmissão automática, injeção eletrônica, 25,4 cm de altura livre ao solo, caçamba traseira basculante com capacidade para 226,8 quilos, além de conseguir transportar pessoas. “Meu gerente da fazenda ficará responsável pela nova aquisição. Dos quatro que tenho, dois são modelos de lazer, porém utilizo para percorrer a propriedade e ajudar na lida com o gado, já que os outros dois são para o trabalho mais específico aqui da fazenda,” conta Rafael.

O gerente Cezar Arthuri Júnior relata que possui clientes com mais de um desses veículos para uso em suas propriedades rurais, chegando a substituir motos e até tratores de pequeno porte em suas atividades no campo. Os motivos apontados para aquisição são agilidade, conforto, qualidade do produto, praticidade e, principalmente, segurança. “Muitos clientes que utilizavam motos optaram pelo quadriciclo por ser mais seguro que a motocicleta, no campo. Outro fator é o baixo custo, pois algumas atividades desenvolvidas com tratores, hoje contam com o quadriciclo ou o UTV Ranger, cujo veículo é leve, ágil e faz o mesmo trabalho que o trator de pequeno porte,” orienta.

Entre as vantagens podem ser utilizados em várias atividades agrícolas, como ao carregar pequenos e médios reboques, agilizando processos, além da segurança do operador com baixo custo agregado. Os veículos podem ser operados de forma mista, seja para o trabalho ou lazer, mas seus valores variam de acordo com os modelos. O UTV - Veículo Utilitário Terrestre Ranger 570 e o ATV - Veículo para todo Terreno Sportsman 570, conhecido como quadriciclo, custam de R$ 32 a R$ 55 mil. Já para trilhas e rallys, modelos destinados à prática de esportes, os modelos são Utvs RZR 900, RZR XP 1000 e RZR XP Turbo S, com potência de 76 a 170 cv, cujos preços variam entre R$ 60 a R$ 120 mil.

Quem trabalha na análise de solo, transporte de insumos, reboques, realiza pequenos reparos na propriedade, lida com animais, preservando a segurança do condutor, aliando a otimização do tempo, tem a opção de conhecer os que os quadriciclos são capazes de promover na agricultura e pecuária. “É preciso avaliar na hora da compra a sua real utilização, segurança, robustez e o custo de manutenção do veículo. Não existem limitações, já que os veículos atendem desde pequenas a grandes propriedades. A única proposta é que ele não pode ser confundido com um trator. A sua versatilidade é tão grande que o produtor, algumas vezes, extrapola a capacidade de trabalho do veículo,” esclarece.

Na fazenda

Cascão conta que os utilitários o ajudam bastante na agilidade das demandas, pois conseguem fazer o serviço de um trator pequeno e são mais seguros para os seus funcionários. “Eu os utilizo em duas propriedades que tenho, tanto em uma destinada à criação de equinos e gado de corte, quanto na outra de criação de gado leiteiro. Consigo tocar o gado no pasto, fazer conserto na cerca e levar ração até os cochos. Consegui diminuir consideravelmente o tempo gasto nos serviços diários e até a quantidade de mão de obra que precisava para um mesmo serviço. Em todo negócio, tempo é dinheiro, e não seria diferente no campo. Otimizo o tempo com um custo hora trabalho bem mais baixo que qualquer outro veículo,” afirma o empresário.

Além de sua versatilidade, os utilitários do agronegócio são fáceis de serem pilotados. “Sempre explico a um novo funcionário como deve ser executado para o máximo de proveito do quadriciclo. Não há necessidade de cursos para manuseá-los e desempenham com eficiência infinita o trabalho no campo,” ressalta.

Principal veículo de locomoção em uma propriedade de 250 hectares e que trabalha com 1.200 vacas por dia, a moto é a queridinha na Fazenda Kiwi, pois envolve praticidade e agilidade nos serviços. “Nunca se usou cavalo aqui. Não saberíamos como sobreviver sem a moto. Ela é um veículo essencial para a fazenda, por conta da facilidade, fácil manutenção e porque nos dedicamos ao sistema de gado, que precisa ser trazido duas vezes por dia para ordenha,” relata Paulo Cézar Baumgratz, gerente da fazenda. 

É evidente que qualquer veículo exige dos profissionais que irão manuseá-lo o devido treinamento, cuidado e informações, como modelo e função, no momento da aquisição. “Sempre pensamos nas motos próprias para trilhas por conta do barro. Elas não podem andar no asfalto porque não possuem emplacamento, mesmo legalizadas. No momento, temos seis motos e um quadriciclo na fazenda,” informa Baumgratz. Uma das vantagens abordada por ele é que a moto está sempre disponível para separar um gado. “Se fossemos usar o cavalo, ele teria que ser treinado. Quem dirige moto é muito mais fácil. Suas principais funções são de manejo do gado, trazendo-os para a ordenha e para serviços que requer agilidade e reparo,” conclui.

O produtor rural precisa estar atento também ao fato de que esses veículos necessitam de manutenção, exigem cuidado com o motor e podem estragar. Outros reforços que garantem o sucesso na área do agronegócio são as observações quanto às aplicações e noções de segurança, a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs), além da habilidade e treinamento para conduzi-las da maneira correta.

Texto: Caroline Santana, especial para a Revista Campo

Fotos: Fredox Carvalho

Comunicação Sistema Faeg/Senar