Em portas fechadas, o Senar Goiás abre várias janelas


“O curso Produção Caseira de Derivados do Leite do Senar Goiás foi a luz numa hora em que a gente estava quase passando necessidade”, relembra Simone da Cruz, que faz sucesso vendendo queijos e doces

Depois de dez anos funcionando no Povoado de Samambaia, no município goiano de Luziânia, o mercadinho que a Simone da Cruz e o marido tocavam teve que fechar as portas. Calotes faliram o negócio. Com 35 anos, ela ficou sem saber como arrumar outra renda para sustentar a família. A única possibilidade de ganhar um ‘dinheirinho’ era com a venda de leite na fazenda do sogro. Mas a renda dos 80 litros produzidos lá não dava para manter ela, o marido e três filhos, dois deles morando em Anápolis para estudar.
Na fase dona de casa, ela pensou em fazer queijos para vender. Mas sabia que a qualidade não era das melhores. “Eu pegava o leite crú e frio, colocava coalho e sal e fazia aquele queijo comum da fazenda, que a gente aprende há muitas gerações”, ressalta. Foi aí que veio a ideia de se qualificar. Ela então pediu ajuda na Associação Rural de Samambaia para fazer um curso e aprender a fazer queijos e doces de qualidade. O pedido foi encaminhado ao Sindicato Rural de Luziânia.
Não demorou muito para que o Senar Goiás, por meio da parceria com os Sindicatos Rurais, levasse para a região o curso de Produção Caseira de Derivados do Leite. “Lá eu me descobri, aprendi coisas que eu não tinha ideia, de aquecer o leite a 60 graus para matar as bactérias e até baixar a temperatura, para só então colocar o coalho. Doce, eu colocava muito açúcar. Aprendi que tem a quantidade certa, que não precisa gastar tanto”, relembra.
Simone terminou o curso num final de semana e na segunda-feira já colocou a mão literalmente na massa, ou melhor, na coalhada que dá origem aos queijos. Agora sabe produzir o frescal, a meia cura, muçarela, de trança e nó, além de doce de leite. Mas depois ela teve outra dúvida: onde vender os queijos e ganhar mercado? Simone sabia que em Luziânia e na região tinha muito produto. Ela e o marido, então, pegaram o carro, andaram 80 quilômetros e resolveram tentar a sorte na feira do Bairro Pedegral, em Novo Gama, no Distrito Federal.  Apesar de ser longe, para