Curso do Senar Goiás auxilia nos ganhos com a pecuária

Arquivo Faeg 2Nos três primeiros meses de 2018 foram abatidos no Brasil 5,7 milhões de cabeças de gado, sendo 730 mil delas em Goiás, segundo dados mais recentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Estima-se que menos de 1% da carcaça produzida é monitorada com parâmetros técnicos em todos os processos que compõem a produção. Com base nesse cenário e buscando elevar as perspectivas de ganho para o criador de bovinos, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) criou o curso de Assessoramento de Abate.

Inédito no Brasil, o treinamento mostra que o pecuarista não produz apenas boi gordo, mas também carcaça, que deve chegar no gancho com todos os cuidados preservados para evitar perdas. "Não adianta o produtor investir em genética e nutrição se ele não adota práticas do manejo racional, evitando maltratar os animais, e se a logística de transporte e processamento são feitos sem as técnicas adequadas. Todos os elos da cadeia são fatores que interferem na rentabilidade do negócio de produção de carne. Para se ter uma ideia, o Brasil é o maior produtor de carne do mundo, mas não sabemos quanto de peso vivo a gente transporta", explica o consultor do Senar, Alexandre Rui Barbosa, que conduzirá o curso.

Alexandre conta que os grandes produtores possuem um responsável ou uma empresa que acompanha o abate, porém não conseguem mensurar de forma precisa as variações de rendimento e nem as suas causas. "Não se olha o transporte daquele boi, nem as condições de cada frigorífico e tampouco registram dados que localizam o ponto crítico das possíveis perdas. Se a carcaça chega machucada, por exemplo, os vaqueiros não sabem o motivo nem o local em que aquela lesão foi provocada", ressalta.

O curso do Senar vem preencher essa lacuna, determinando com maior nível de detalhamento os fatores que interferem no rendimento da carcaça. "A capacitação oferece ao produtor conhecimento das causas de perdas da carcaça durante apartação dos animais para embarque, espera do caminhão do frigorífico, o transporte dos animais, o tipo do caminhão, tempo de deslocamento, desembarque no frigorífico, o jejum hídrico antes do abate, perdas durante o processamento, preparação das carcaças, os cortes das carcaças conforme legislação do Mapa, tipos de lesões nas carcaças e o rendimento. Tudo isso permite o produtor avaliar onde está acontecendo a maior perda e corrigir alguma falha para melhorar o processo de logística e a escolha de frigoríficos que estejam buscando melhoria de processos", explica o coordenador técnico do Senar Goiás, Marcelo Penha Silva.

O curso é uma continuidade dos treinamentos de Bovinocultura de Corte e Manejo Racional de Bovinos. Além disso, conta com apoio do programa Pesebem da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). Fazem parte do público alvo do curso produtores e trabalhadores rurais da bovinocultura de corte interessados em entender o rendimento da carcaça, observando o escore dos animais apartados, embarque, transporte, jejum e processamento das carcaças.

A carga horária é de 24 horas, distribuídas em três dias de aulas teóricas e práticas. "A nossa ideia é passar o conteúdo teórico no primeiro dia. Em seguida, faremos o acompanhamento de transporte - embarque e desembarque. E no último dia, no período da manhã, nós queremos levar os alunos para dentro de uma indústria parceira para acompanhar o abate. O período da tarde seria destinado a produção de relatórios", informou Alexandre. A primeira turma será composta por 16 participantes.

Texto: Assessoria de Comunicação do Sistema Faeg Senar

Foto: Arquivo Faeg