Educação sólida em tempos de “modernidade líquida”

Fátima Araújo – Coordenadora do Programa Agrinho em Goiás

 Nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem. Com esta afirmação Zygmunt Bauman nos incita para a relevância da educação desde antes do processo de socialização infantil até enquanto houver condições físicas e mentais para o ser humano aprender. Professor, sociólogo e filósofo polonês nos brinda com algumas reflexões na semana em que se comemora o Dia do Pedagogo (20 de maio). Tido como crítico pós moderno desnuda as transformações contemporâneas afirmando que nada é sólido, que tudo se dilui no ar, que nada foi feito para durar e que até o amor é líquido. E por aí vão suas afirmativas.

E onde entra a educação neste cenário? Resta a esta assegurar que as relações construídas dentro e fora das instituições de ensino se solidifiquem. Simples de falar e complexo de se concretizar; porém, possível. Exemplo disto é ilustrado pela iniciativa do professor Leonardo Alves Neto, da cidade de Vianópolis, em Goiás, que teve sua iniciativa veiculada em TV e redes sociais. Em “tempos líquidos”, em que as relações de aprendizagem estão sendo repaginadas devido ao contexto atual no qual o Brasil e o mundo enfrentam realidade de distanciamento social, ele escreveu cartas a seus alunos e as enviou pelos Correios; acontece que estes demorariam mais que o normal para as entregar. E a saudade de seus alunos, com os quais tanto ensina quanto aprende, aumentava a cada dia. Isto fez com que ele elaborasse cartazes com dizeres do tipo: “Querido aluno, estou morrendo de saudades de você! O distanciamento social é preciso e causa saudades, mas nunca o esquecimento. Logo estaremos juntos”, afixando-os em frente à casa de cada homenageado.

A recíproca se dá não apenas de parte dos alunos do professor em comento, como também de outro exemplo que circula nas redes sociais no qual áudio de um aluno, aparentemente no início de sua escolarização diz a sua “pro” que ela tem “mania de ensinar” e que com ela ele aprende; o que a deixa, obviamente, emocionada ao ouvir espontânea declaração de valorização de seu fazer pedagógico. E é justamente esta “mania de ensinar” que faz com que a educação contribua para que a sociedade se “solidifique”. E este fazer conta diretamente com a Pedagogia e com o Pedagogo!

Por fim, corroborando para que Goiás tenha uma educação cada vez “mais sólida”, a Maior Escola da Terra - o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), conta com dezenas de ações de educação formal e não formal - em contraponto ao educador citado neste texto.  Como exemplo, implantou o Programa Agrinho a treze anos, sendo que este existe a vinte e cinco anos no país, e no qual as instituições públicas e privadas de todas as modalidades de ensino contam com um conjunto de ações de educação presencial e a distância. Assim, com iniciativas como as exemplificadas neste texto mostram que a cada dia, a cada reinvenção, a cada ato por mais singelo que pareça, se pode mais e mais “solidificar” a sociedade por meio de ações efetivas, e a educação contribui para isto.

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