O hábito da leitura como estratégia de emancipação

Andréia Peixoto é Pedagoga, especialista em Docência do Ensino Superior, Personal & Professional Coach, Coordenadora de Ações e Projetos do Senar Goiás





Vamos começar este diálogo, lembrando-se do primeiro livro que você leu. Qual foi o aprendizado? Provocou alguma mudança na sua forma de ver/entender o mundo? Simone Helen Drumond Ischkanian, poeta, neuropsicopedagoga, mestra em Ciências da Educação, defende que a leitura é uma viagem fantástica ao mundo do conhecimento, onde só você que lê tem a oportunidade de transcender, de maneira que a leitura pode ser reconhecida como uma estratégia de formação e emancipação do sujeito. 


Uma vez que a leitura serve como incentivo para observação da realidade, fazer inferências a respeito dela, se estabelecendo como oportunidade de transformação do leitor em agente ativo. A leitura é uma experiência libertadora, é possibilidade para a verdadeira ação intelecto cultural, que deve ser implementada em nossas vidas. Assim sendo, o desenvolvimento da habilidade de ler significa constituição de uma consciência emancipada.


Reconhecendo que a primeira função da leitura é despertar o interesse pelos elementos contextuais de mundo, contribuindo com a identificação das especificidades de cada fragmento da realidade, em vista disso, coloca-se em prática as interrogações fundamentais, sobre o mundo, o homem, o conhecimento, assim ela se estabelece como embasamento essencial para a compreensão da realidade, possibilitando o conhecimento de novas informações, observação e problematização da realidade.


Além disso, a prática da leitura é eficaz e agradável estratégia de transformação do leitor em agente ativo, uma vez que, desenvolve um processo de compreensão sistemático, através de suas experiências e atividades diversas, num processo dialógico-interacionista, garantindo a aquisição de competências necessárias para a evolução, não somente na vida pessoal, como também na profissional, expandindo a consciência social, política, cultural, espiritual e empreendedora.


Tendo em vista que, a leitura é a circunstância para a construção do conhecimento, elemento necessário para uma atuação autônoma do indivíduo, faz-se necessário promover o desenvolvimento da capacidade de transformar informações em conhecimento, assim torna-se fundamental compreender que a aquisição da habilidade de ler significa a libertação do indivíduo para o conhecimento e consciência de sua cidadania, tendo em vista que, habilita o leitor para problematizar e intervir na prática política social, ampliando a compreensão crítica do mundo.


Nessa perspectiva, o hábito da leitura como estratégia que possibilita a formação e emancipação do indivíduo, precisa ser alicerçado na visão sistêmica, com abordagem progressista, possibilitando o aprender a aprender. Ou seja, o processo de construção do conhecimento deve ser orientado para a percepção da totalidade, considerando não somente a razão, mas também a intuição e sentimento, ser fundamentado no diálogo e contextualidade. 

Assim, reconhecemos a leitura como estratégia que possibilita a formação e emancipação do indivíduo autônomo capaz de olhar para realidade socioeconômica e identificar as possibilidades de intervenção para as mudanças necessárias.