Preço do leite ao produtor

José Mário Schreiner - presidente do Sistema Faeg/Senar e deputado federal

Apesar da queda de preços imputada aos produtores de leite de Goiás, por parte dos laticínios, de até R$ 0,40/litro nos meses de agosto e setembro/2021, observa-se que os preços não caíram para os consumidores. Pelo contrário, nos últimos dois meses, os preços dos principais produtos lácteos comercializados nos principais supermercados em Goiânia aumentaram. O leite longa vida (litro) teve aumento de 1,5%, o queijo muçarela (kg) de 1,4% e o creme de leite (lata 300 g) 6,0%, segundo pesquisa semanal de preços dos principais derivados lácteos realizados em Goiânia, por uma Central de Cooperativas de Leite de Goiás. Enquanto no mesmo período os preços recebidos pelos produtores, considerando uma baixa média de R$ 0,25/litro nos meses de agosto e setembro/2021, caiu mais de 10%.

Outro fato importante é que no período de agosto/2021 a setembro/2021, ao invés de queda, indicou uma leve recuperação do consumo, visto que o nível de dias de fabricação dos principais produtos lácteos comercializados nos supermercados de Goiânia caíram. Como exemplo podemos citar o leite longa vida (UHT), que em agosto/2021 foi comercializado, em média, nos principais supermercado de Goiânia com prazo de 59 dias de fabricação. Já em setembro/2021 esse prazo caiu para 52 dias em média. Em outras palavras, demonstra redução do estoque nos supermercados, o que retrata pequena reação no consumo.

Portanto, não se pode justificar a queda de preços aos produtores de leite de Goiás, nesse período de agosto a setembro/2021, em virtude de uma queda no consumo. O próprio índice da cesta de derivados lácteos, que é calculado pelo Instituto Mauro Borges e que retrata o comportamento dos preços dos principais produtos lácteos que é comercializado pelas indústrias de Goiás à rede varejista, e que é discutido e validado na reunião da Câmara Técnica de Conciliação da Cadeia Láctea, que tem participação tanto dos produtores quanto dos laticínios, foi positivo em 0,68% no acumulado de agosto e setembro/2021, demonstrando que não há justificativa para queda de preços aos produtores.

Em virtude dessa situação, os produtores de leite de Goiás e de inúmeros outros Estados brasileiros estão sendo expulsos da atividade por conta da inviabilidade de continuar produzindo. Pois, além dessa baixa de preços, tiveram aumento nos seus custos em mais de 40% nos últimos 12 meses. Só o item alimentação, que tem peso de mais de 50% nos custos de produção, aumentou mais de 68% no período.

Essas reduções drásticas nos preços estão levando milhares de produtores a uma situação de prejuízos e insolvência, levando-os a saírem da atividade, ocasionando a cada mês redução no volume produzido.

E isso influenciará diretamente na mesa da população pela redução drástica da produção e na economia de milhares de famílias e municípios, com a redução de milhares de empregos e da renda oriunda dessa atividade.

É urgente que os laticínios revertam essa queda de preços, e que haja o cumprimento e o estabelecimento de políticas que garantam aos produtores de leite a redução dessas altas instabilidades de preços porque passam todos os anos.

Artigo publicado na edição de 15 de novembro de 2021 do jornal O Popular.