Alfabetização como pauta de destaque em meios de ensino


Fátima Araújo é Coordenadora do Programa Agrinho do Senar Goiás

No dia 14 de novembro, véspera de feriadão, comemora-se o Dia Nacional da Alfabetização. A proposta desse texto é colocar de forma nacional e/ou mundial, a alfabetização como pauta de destaque em meios de ensino. E a questão é: a alfabetização, como vai? O público está sendo realmente alfabetizado ou é analfabeto funcional? Leitor de palavras ou leitor do mundo? Nosso conterrâneo Paulo Freire já dizia para o Brasil e o mundo: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”.

Diante de tantas interrogações, a pergunta que não quer calar: “Como vai a alfabetização (ou a ausência/ineficiência desta) no Brasil e no mundo?” De acordo com dados divulgados pela Unesco em 2018, no mundo todo são cerca de 617 milhões de crianças e adolescentes que ainda não alcançaram habilidades mínimas necessárias à leitura e, especialmente, à interpretação do que se lê. E os números não param por aí. Segundo a mesma fonte são 750 milhões de jovens e adultos que não sabem ler nem escrever. Ou seja, se não se teve oportunidade de letramento na infância, os efeitos se potencializam na vida adulta. Isto sem falar nos analfabetos funcionais, ou melhor, aqueles que são tidos como “alfabetizados”, mas que não passam da assinatura do próprio nome ou que cuja escrita e leitura (sua ou de outrem) não se interpreta. 

Diante deste cenário, devolver à crianças, jovens e adultos o direito de sonhar com um mundo letrado para si próprio passa então a ser um desafio não apenas para governos e agentes de educação, mas também para instituições em geral, bem como para a sociedade como um todo. Neste rumo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) juntamente com empresas parceiras, implementaram há 12 anos o Programa Agrinho em território goiano. Desde sua primeira década, os 246 municípios do Estado já haviam sido beneficiados, e em 2019 são mais de duas centenas destes.

A cada ano o tema específico é proposto juntamente com os assuntos trabalhados nos anos anteriores; sendo que a atual edição destaca: cresce campo e cidade com saúde e sustentabilidade. Formação Inicial e continuada, aliadas a suporte técnico são disponibilizados para que criatividade e desempenho de aprendiz e seus mestres sejam instigados rendendo milhares de trabalhos que concorrem a centenas de prêmios em uma das etapas do programa na qual se realiza o concurso.

Por fim, e parafraseando dois ícones da educação - Paulo Freire e Rubem Alves - entende-se que as palavras só têm sentido se servirem para ajudar a ver o mundo melhor, e se servirem para que os alfabetizados sejam leitores de mundo antes de serem leitores de palavras.

Foto de capa: divulgação