Especialista aponta falhas no jornalismo agropecuário

7009 fernando barros simposioMichelle Rabelo, de Campo Grande (com informações da Famasul)

Abrindo a 3ª Bienal dos Negócios da Agricultura Brasil Central, que acontece em Campo Grande (MS), a forma como os jornalistas noticiam o setor foi o tema da palestra de Fernando Barros. Segundo ele, é preciso traduzir o campo em significados, pois “só assim a imprensa vai conseguir levar informações corretas e relevantes para a sociedade”. O evento, realizado pelas federações da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), do Mato Grosso do Sul (Famasul), do Mato Grosso (Famato) e do Distrito Federal (Fape), segue até terça-feira (1) no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo.

Barros, que é jornalista por formação,  foi um dos condutores do Simpósio de Jornalismo Agropecuário - evento paralelo da Bienal, e durante duas horas defendeu a necessidade de um cuidado maior com a reputação do agronegócio, que “está comprometida com a atuação parcial e sem apuração correta da imprensa nacional e internacional”. Ele ainda fez questão de destacar o cuidado que o jornalista precisa ter para não acabar carregando uma “bandeira ideológica”. Parte da equipe de Comunicação da Faeg participou do simpósio e destacou o valor de jornalisas que conheçam a realidade da inovaçãoe da sustentabilidade no campo. 

Fernando falou para um público de 150 pessoas, entre profissionais do agronegócio, jornalistas e acadêmicos de comunicação que tiveram a oportunidade de participar do bate papo, mediado pela jornalista Waléria Leite. O simpósio também contou com a participação do chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Corte, Cleber Oliveira Soares e do presidente da Fape, Renato Simplício Lopes.

Com o tema “Comunicação, a 4ª dimensão da sustentabilidade”, Fernando Barros exaltou o trabalho a imprensa que “precisa repassar informações técnicas em linguagem mais simplificada e transmitir com mais clareza a realidade do campo”. Para os profissionais da área, Barros explicou que é preciso cuidado na coleta de dados, a fim de que não propagar conteúdos parciais. “Temos vários desafios a vencer, mas é fundamental que os jornalistas cumpram a função de aferir, monitorar e compartilhar informações que sejam reais para toda sociedade. Ao público interessa saber qual o impacto ambiental, o foco social do produto e os impactos na saúde da população”, argumentou o especialista em jornalismo agropecuário, apontando que existem grupos interessados em demonizar a imagem da agricultura e que sacralizam os animais, criando um clima de animosidade da sociedade para os produtores.

Para o presidente da Fape, Renato Simplício Lopes, o setor rural é um sistema complexo composto por vários personagens, mas o principal ainda é o produtor rural. “A agricultura é a forma de relação que norteia homem e natureza, para produção de alimentos, fibras e bioenergia. Por isso é essencial que seja compreendido o quanto de recurso, tecnologia, conhecimento e mão de obra qualificada é utilizada para atender a demanda nacional e global”, pontuo. Já para o presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, o simpósio é uma oportunidade que profissionais da agropecuária e imprensa têm para trocar conhecimentos e esclarecer temas considerados polêmicos. “Com a presença de especialistas no assunto, os participantes têm oportunidade de aprender mais e corretamente sobre o setor agropecuário. Queremos colaborar para minimizar as distorções de informações, como por exemplo, de que o produtor degrada o meio ambiente para produzir”, ressaltou.

José Mário Schreiner chega em Campo Grande na noite desta segunda-feira (31), quando participa da abertura oficial da Bienal. Na terça-feira (1) ele será moderador da palestra que vai abordar a importãncia da pesquisa, ciência, tecnologia e inovação na agricultura. A entidade está à frente de uma caravana composta por mais de 50 produtores que vieram de Goiás para participar do evento. Entre os nomes que compõem a lista estão os deputados estaduais  Lissauer Vieira e Jean Carlos.