'Sutiãs’ para vacas: veterinária explica que sustentador de úbere aumenta o bem-estar animal e ajuda em casos de frouxidão ligamentar

Quem visita a fazenda Zuniga, na cidade de Serranos, região sul de Minas Gerais, vai encontrar uma bela paisagem interiorana, uma típica propriedade rural e animais de excelente genética. Mas, a fazenda que surgiu de um sonho de um cidadão da cidade há 21 anos, trouxe uma novidade que não se costuma ver pelos campos do Brasil: vacas usando o sustentador, ou sutiã, que segundo os proprietários estão ajudando a evitar os problemas de úbere.

Nós conversamos com Eveline Zuniga, médica veterinária e filha do dono da fazenda, que foi uma das responsáveis pela a implantação da técnica na propriedade há cerca de 1 ano. Segundo ela, a produção leiteira foi um sonho realizado do pai, Carlos Zuniga, quando se aposentou e decidiu morar no campo. Como a família não tinha tradição na produção rural, teve que pesquisar e aprender muito e, por isso, sempre esteve aberta às novidades. Essa, no caso, veio de uma viagem feita à fria Islândia.

“Em julho de 2019 viajamos de férias para a Islândia e resolvemos inserir em nosso roteiro a estadia em um hotel fazenda. Em visita aos estábulos, deparei-me com uma raça, até então desconhecida para mim, chamada Icelandic. São vacas de pequeno porte, do tamanho de uma Jersey, mansas e boas produtoras de leite, em sua maioria de coloração avermelhada, e originárias da Noruega. Percebi que elas usavam algo que parecia uma cinta por todo o corpo e, na região do úbere, era algo como se fosse uma rede”, disse.


Intrigada com aquele equipamento, a veterinária perguntou aos moradores locais do que se tratava. “A proprietária da fazenda me devolveu a pergunta, questionando e eu não sabia para que serve um sutiã. Bom, era isso mesmo, é um sustentador de úbere para as vacas”, contou.

A maioria dos animais na região usam para garantir um bem-estar. Interessada, Eveline foi atrás de lojas onde poderia adquirir o produto. Na Europa, o protetor é um ótimo aliado durante dias mais frios. Apesar de o auge do inverno em Minas Gerais ser mais parecido com o verão islandês, a veterinária descobriu outras vantagens de usar o acessório.

“Conversando com um especialista na área de bovinos leiteiros, ele me mostrou que pode ser realmente muito útil para toda a cadeia leiteira, inclusive para o gado de elite. Muitas vezes precisa-se descartar um animal de alto valor genético, pois ela não aguentaria produzir leite por mais uma ou duas lactações (por conta da frouxidão ligamentar do úbere). Sendo assim, o sustentador de úbere pode auxiliar na longevidade dos animais”, contou.

Outro produto importado por ela foi uma roupa térmica para bezerras, que podem ser utilizados por animais com problemas respiratórios o pós-nascimento em dias mais frios.

Implantação

Apesar de enfrentar um pouco de resistência por parte de funcionários que nunca ouviram falar daquelas vestimentas, Eveline fez os primeiros testes com o sutiã em uma vaca mais velha, com o ligamento suspensório médio afrouxado. “O resultado foi excelente, pois ela se sentiu mais confortável e os quadros de mastites reduziram”, disse.

Como haviam trazido apenas uma peça da Europa, acabaram reproduzindo outros com materiais mais parecidos com o original. Os animais, segundo ela, também aprovaram a roupa térmica, que foi utilizada em uma bezerra que sofria de problemas respiratórios. “Voltamos em julho, e estava bem frio. Aplicamos a térmica na bezerra e o resultado foi ótimo, junto com o tratamento convencional de antibióticos e anti-inflamatórios.