Doenças virais de importância na produção de suínos

Após um surto de peste suína na China, criadores de todo o mundo estão buscando informações sobre a doença que levou mais de 1 milhão de porcos ao abate no referido país, volume este que é o triplo que o Brasil produz durante um ano inteiro. A China é o maior produtor de carne suína do mundo: são cerca de 54 milhões de toneladas por ano. Os primeiros casos de peste suína africana por lá surgiram em agosto de 2018.

Visando a busca por informações, aconteceu hoje, (23), no Salão do Sindicato Rural de Rio Verde, o Workshop de Capacitação de Doenças Virais de Importância na Produção de Suínos. O curso foi ministrado pela especialista em epidemiologia das doenças infecciosas, a doutora em medicina veterinária Masaio Mizuno Ishizukae também por técnicos da Agrodefesa, que contribuíram com orientações sobre o Programa de Sanidade Suídea no estado.

Professora da USP, Dra. Masaio falou sobre as diferenças entre a Peste Suína Africana e Peste Suína Clássica e lembrou que o Brasil é o quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo e que o último caso de peste suína africana em território brasileiro aconteceu em 1978. “Precisamos seguir as normas de seguridade nas propriedades, para que a peste suína clássica não se torne um agravante em nosso país, uma vez que já foram identificados casos em pequenas propriedades nos estados do Ceará e Piau, estados estes que não fazem parte da zona livre da doença”.

A Diretora Técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos – ABCS,. Charli Ludtke falou sobre a inspeção de bagagens, de ingresso de viajantes que vêm ao Brasil oriundos dessas áreas que possuem a peste suína e que medidas já estão sendo tomadas em portos e aeroportos.


PESTE SUÍNA CLÁSSICA

A peste suína clássica é uma doença viral, não transmissível ao homem, mas mata porcos domésticos e selvagens, afetando à indústria e consequentemente à economia. Ela é uma doença causada por um vírus que acomete apenas suídeos, provocando problemas sanitários nas crianças, perdas econômicas e boqueio da comercialização de suínos e produtos. 

A doença é transmitida através do contato entre animais doentes e animais sadios, sendo o javali um potencial disseminador da doença para o rebanho suíno, também por meio de veículos, roupas e objetos contaminados e alimentos e produtos cárneos contaminados. 

Os sinais clínicos são: tristeza no animal, febre alta, vômitos, diarreias, manchas arroxeadas pelo corpo (orelhas), andar cambaleante, aborto no final da gestação, conjuntivite e mortalidade. 

As formas de prevenção são: não transportar suínos e produtos das áreas não livres da doença, não alimentar suínos com restos de alimentos sem cozimento, criar suínos em instalações adequadas, com cercas e telas; limpar e desinfetar veículos transportadores de suínos, trocar, descartar ou lavar roupas e sapatos que tenham sido utilizados em viagens às áreas que não são livres da doença. 


PESTE SUÍNA AFRICANA

A peste suína africana é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus composto por DNA fita dupla. A doença não acomete o homem, sendo exclusiva de suídeos domésticos e asselvajados (javalis e cruzamentos com suínos domésticos).

A doença tem sido observada desde o início do século 20 no sul e leste africanos e inicialmente era caracterizada pelos aspectos clínico-patológicos semelhantes à peste suína clássica (PSC). No entanto, posteriormente foi observado que as duas enfermidades são distintas.

A suspeita inicial da enfermidade baseia-se principalmente na observação dos sinais clínicos de doença hemorrágica. Porém, o uso de técnicas laboratoriais, como as moleculares, é imprescindível para a confirmação do diagnóstico.

A peste suína africana é uma doença de notificação obrigatória aos órgãos oficiais de controle de saúde animal, uma vez que ela possui rápida disseminação.

Não existe vacina ou tratamento para PSA.

REALIZAÇÃO

O evento foi uma realização da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (Abegs), Associação Brasileira de Médicos Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves), a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR GOIÁS), Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Sindicato Rural de Rio Verde, Associação Goiana de Suinocultores (AGS) e Associação dos Granjeiros Integrados do Estado de Goiás (AGIGO). 


Fonte/imagens: Comunicação Sindicato Rural Rio Verde