Batalhão Rural reduz em 50% roubos nas fazendas

Os agropecuaristas já estavam cansados de tantos furtos e roubos nas suas propriedades rurais. O alvo de sempre: máquinas e implementos agrícolas, insumos básicos nas lavouras, matrizes e touros de alto valor genético eram alvos. A paz que sempre reinou no campo de repente é removida das famílias dos produtores. A dedução simples: o maior combate pela polícia aos ladrões nas cidades fez com que eles migrassem para o meio rural.

Esses infelizes acontecimentos levaram as entidades classistas dos criadores e agricultores a um debate envolvendo a Segurança Pública. E, finalmente, o estabelecimento de uma parceria. E já havia um ensaio de patrulha rural, o advento do governador Ronaldo Caiado, um político que nunca negou sua condição de pecuarista, trouxe novos ânimos. O Batalhão Rural foi criado há apenas 18 meses e apresenta bons resultados, conforme entrevista exclusiva do tenente-coronel André Luiz Carvalho, comandante da nova corporação.

Inicialmente, o coronel Carvalho, muito conceituado na PM, explica as razões da criação do Batalhão Rural e o programa de patrulha georreferenciada. "É àquele programa em que a gente aproxima do produtor, faz um cadastro da propriedade, e a gente coloca à disposição do produtor toda uma estrutura logística na viatura de atendimento" E acrescenta que um número de telefone que é disponibilizado para o produtor para atendimento de ocorrências. "Com isso, a gente tem uma rede de segurança envolvendo produtor e dividindo responsabilidade. O grande fator é divisão de responsabilidade, então o produtor cultural, ele sentindo esse feedback essa aproximação com a polícia ele se sente mais confiante e começa compartilhar informações"

O coronel Carvalho discorre que nestes 18 meses, o Batalhão Rural desempenha trabalho profissional de alto nível, muito focado no atendimento, um trabalho de construção. "Nós temos resultados muito positivos. Ultrapassamos 50% de redução desse período nos índices de roubos na zona rural"

Segundo o comandante, em relação aos custos, "redução não tão expressiva, mas também importante, que gira em torno de 25% de redução em relação aos furtos" Na zona rural os locais de maior incidência dependem muito da natureza da atividade, conforme ele. Cita como exemplo, que num raio de 50 quilômetros que se circunscreve a Capital, o costume, àquele lugar conhecido, é de divertimento e de descanso. "Então essa é uma característica que esse tipo de crime próximo a Goiânia. É que nas propriedades de veraneio, o dono só vai ao final de semana e sempre quando se ausenta um pouco não teve tempo, às vezes acontece de ter uma visita" observa.

As quadrilhas de roubo de gado no estado de Goiás, conforme revela o comandante, "elas foram para o interior e, na sua grande maioria, já foram presas ou confrontaram com a Polícia Militar" Em sua opinião, o Batalhão "é extremamente atuante e combativo" E observa que na região Sudoeste, "a característica é um pouco diferente" O foco é o maquinário, os defensivos agrícolas. Cristalina se apresenta como um dos maiores focos centrais de furtos. No município, concentra-se a maior quantidade de pivôs centrais.

O coronel Carvalho enaltece a parceria estabelecida entre a Polícia Militar, o Fundepec, a Faeg e a SGPA, além dos sindicatos rurais. O convívio dos produtores é fundamental para a obtenção dos resultados positivos. Lembra que "a própria sede do batalhão foi construída com recursos do Fundepec"

E tece elogios: "O Batalhão Rural tem uma característica de um batalhão não só compatível. Mas também com um batalhão que desenvolve a atividade da polícia comunitária. Pelo que se percebe, ele precisa muito da aproximação com as entidades classistas. Somente o policiamento não é suficiente. Então, sem essa divisão de responsabilidades e essas parcerias, o trabalho não sairia a contendo como tem saído" demonstra.

PM aliada

Ele demonstra confiança no crescimento da segurança no campo, assegurando que o Batalhão corresponde às expectativas. Há uma crescente estruturação. O esqueleto dá forma a um corpo. O produtor tem na PM uma aliada. Segundo dados oficiais, hoje estão cadastradas 32.000 propriedades no estado de Goiás de um total de 172.000.

Observa que em municípios como Anápolis e Catalão atingiram altos índices de cadastramento, acima de 80%. E redução em torno de 90% em atividade criminal. E exemplifica: "Apenas pelo simples cadastramento da propriedade, mas também com o envolvimento do produtor com policiamento. Quando o produtor é cadastrado, a marca do gado é cadastrada no sistema. O maquinário que pertence a ele é feito o georeferenciamento da propriedade, é traçada a melhor rota para que a viatura chegue, ele também é incluído no grupo de trabalho pelo aplicativo WhatsApp. Assim como com o aplicativo Telegram. Então quando nós criamos essa ferramenta de trabalho envolvendo o produtor rural, através desses grupos, observamos que a redução dos índices criminais realmente é exponencial" esclarece ao concluir sua entrevista.

Conteúdo publicado em Diário da Manhã

Comunicação Sistema Faeg/Senar