ATeG do Senar Goiás capacita produtores a formularem dietas ajustadas para rebanho

Em um sistema de produção de leite, a alimentação adequada do rebanho é de fundamental importância tanto do ponto de vista nutricional, quanto econômico. Produtores afirmam que o custo com a nutrição de bovinos, em média, chega a representar até 60% do custo total de produção de suas propriedades. E, para auxiliar o produtor de leite a tomar decisões mais eficientes e eficazes, o Senar Mais, programa de assistência técnica e gerencial (ATeG) do Senar Goiás, para bovinocultura de leite, tem auxiliado cerca de dois mil produtores goianos a ajustar corretamente a dieta oferecida às suas vacas em lactação, novilhas e bezerras – mantendo o custo médio com a nutrição animal abaixo dos 50%, elevando a margem bruta do produtor por litro de leite e colaborando para a permanência dos produtores na atividade. 

Consultores em nutrição definem a dieta como o conjunto de alimentos, incluindo sua quantidade respectiva, prescrita para uma determinada categoria animal. Segundo este grupo, a ração é a quantidade total de alimentos consumidos em 24 horas (volumosos, concentrados, aditivos e minerais), e esta relação deve ser balanceada com base nas exigências dos animais e nas características dos alimentos utilizados. Eles informam que, à medida, que se busca maior produtividade por animal, os volumosos (pasto, silagem e feno) por si só não são suficientes para manter esta maior produtividade. Neste caso, além de volumosos, alimentação do gado de leite deve ser acrescida de uma mistura de concentrados, minerais e até vitaminas.

Segundo o gerente de ATeG do Senar Goiás, Guilherme Bizinoto, a dieta é imprescindível para garantir lucratividade, saúde animal e produção eficiente. Ele explica que a base para formulação de dietas eficientes é a análise do estágio de lactação e da produção de cada vaca leiteira. "Na primeira visita à propriedade, durante o diagnóstico, os técnicos de campo solicitam a pesagem do leite ao produtor. A partir de então, este controle passa a ser feito regularmente, no mínimo, uma vez ao mês. Os dados são registrados no Caderno do Produtor. Na etapa seguinte, o técnico ajuda o produtor a formular uma dieta personalizada de acordo com os alimentos disponíveis na propriedade e nos resultados almejados no planejamento", afirma. Como o custo com alimentação e a disponibilidade de pastagem oscila entre o período de chuvas e o da seca, o gerente indica que o produtor faça a análise bromatológica dos volumosos, para conhecer as características nutricionais da pastagem e disponibilidade de forragem. 

“Pensando em nutrição de precisão, a análise bromatológica de cada alimento é essencial, só assim o balanceamento da dieta será 100% efetivo. Na maioria das propriedades leiteiras, os alimentos mudam durante o ciclo de produção, de acordo com as épocas do ano e a disponibilidade no mercado, entre outros fatores. Cabe ao produtor, juntamente com seu técnico de campo, buscarem a melhor alternativa do ponto de vista econômico, que garanta a produção esperada das vacas em lactação", enfatiza o gerente da ATeG.

Planejamento e método

Responsável pela assistência a 25 produtores de leite nos municípios de Anápolis, Bonfinópolis, Campo Limpo, Leopoldo de Bulhões, Nerópolis e Pirenópolis, o técnico de campo do Senar Goiás, André Milhardes, considera que a dieta é um pilar da pecuária de leite. "Aliada à sanidade do rebanho e a genética dos animais, a dieta mantém o produtor na atividade e colabora para que ele obtenha bons resultados. No sistema tradicional semi-intensivo, com produção de leite a pasto, a relação entre volumoso e concentrado deve responder por até 50% do custo operacional efetivo do produtor, sendo 35% concentrado (ração) e 15% volumoso (silagem na época seca). Em função da receita bruta do produtor, o ideal é que o concentrado (ração) não passe de 35%", orienta.

A metodologia do Senar Mais é fundamentada em cinco etapas, que abrangem todo o processo a ser aplicado no desenvolvimento da propriedade rural. A primeira é o diagnóstico produtivo, que permite ao técnico conhecer toda a realidade daquela produção. Em seguida, é realizado um planejamento estratégico que define, juntamente com produtor, o que tem que ser melhorado e onde existem gargalos. A terceira etapa é a adequação tecnológica, como o manejo intensivo de pastagens, acompanhada de uma capacitação profissional complementar, que é a quarta etapa, se necessário. E, por último, a avaliação sistemática dos resultados.

Na prática, a assistência começa com a avaliação dos pontos fortes e fracos, identificando sistemicamente as oportunidades e ameaças disponíveis. "Nós montamos um planejamento estratégico com o produtor, definindo prioridade e metas. Depois, começamos as adequações, onde usamos as tecnologias que mais se adequam à realidade do produtor. Propomos soluções para os gargalos identificados e revisamos os indicadores mensais e anuais, adotando as correções necessárias e efetuando o novo planejamento para os próximos 12 meses. Um dos principais gargalos na produção leiteira em Goiás é o custo operacional com a nutrição animal. Segundo Milhardes, quando este custo supera 50% do total de despesas na atividade produtiva da propriedade, a margem bruta e, consequentemente, o lucro por litro de leite ficam muito apertados.