Primeiro levantamento da Conab aponta crescimento da produção de grãos no estado, com destaque para o milho. Irregularidade das chuvas e recuperação da umidade do solo estão entre os principais pontos de atenção para o ciclo agrícola.
Primeiro levantamento da Conab aponta crescimento da produção de grãos no estado, com destaque para o milho. Irregularidade das chuvas e recuperação da umidade do solo estão entre os principais pontos de atenção para o ciclo agrícola.
Goiás deve manter sua posição de destaque na produção brasileira de grãos na safra 2026/27, com estimativa de 20,3 milhões de toneladas de soja e 12,4 milhões de toneladas de milho. Os números fazem parte do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 15 de outubro, que projeta crescimento da produção nacional, mas alerta para os desafios climáticos no início do ciclo agrícola.
Em nível nacional, a produção de grãos está estimada em 367,14 milhões de toneladas, alta de 1,4% em relação à safra anterior. A área cultivada deve alcançar 85,41 milhões de hectares, crescimento de 2,3%, enquanto a produtividade média está projetada em 4.299 quilos por hectare, redução de 0,9%.
A soja deve alcançar 181,61 milhões de toneladas no país, enquanto a produção de milho, considerando as três safras, está estimada em 148 milhões de toneladas.
As projeções reforçam a importância de Goiás para o abastecimento nacional e para o fornecimento de matéria-prima à agroindústria. Com base nas estimativas iniciais, o estado deve responder por aproximadamente 11,2% da produção brasileira de soja e 8,4% da produção de milho.
Soja: início do plantio exige atenção às condições de umidade
A produção de soja em Goiás está estimada em 20,3 milhões de toneladas, crescimento de 0,8% em relação à safra anterior. A área plantada deve chegar a 5,2 milhões de hectares, avanço de 0,9%, com produtividade projetada em 3.908 quilos por hectare, praticamente estável.
Em algumas regiões, a distribuição das áreas entre as culturas pode sofrer ajustes conforme as condições de mercado e a demanda industrial. Em Cristalina, há perspectiva de leve ampliação da área de soja, enquanto, em São João d’Aliança, parte das lavouras poderá ser destinada ao milho.
O plantio começou de forma pontual, principalmente em áreas irrigadas e em talhões de sequeiro que apresentam umidade suficiente no solo. Conforme o acompanhamento de campo da Conab de 12 de outubro, cerca de 7% da área prevista estava semeada, percentual abaixo da média histórica de 10% para o período.
A irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas exigem atenção dos produtores, especialmente durante a germinação e a emergência das plantas. As condições de umidade também influenciam o estabelecimento do estande e a necessidade de eventuais replantios.
Milho apresenta maior crescimento entre as principais culturas
O milho se destaca nas estimativas estaduais para a safra 2026/27. A produção goiana está projetada em 12,4 milhões de toneladas, aumento de aproximadamente 2,04 milhões de toneladas, ou 19,7%, em relação ao ciclo anterior.
Na primeira safra, a área cultivada deve crescer 26,2%, alcançando 188 mil hectares. A produção está estimada em 1,974 milhão de toneladas, alta de 27,3%.
A expansão da indústria de etanol de milho contribui para fortalecer a demanda pelo cereal e pode influenciar as decisões dos produtores sobre a distribuição das áreas cultivadas entre as diferentes culturas.

Para a segunda safra, a Conab projeta 1,8 milhão de hectares, crescimento de 3,1%, e produção de 10,4 milhões de toneladas, avanço de 18,4%. A produtividade estimada é de 5.774 quilos por hectare, aumento de 14,9%.
Apesar da perspectiva positiva, o resultado dependerá das condições climáticas e do calendário de colheita da soja. Eventuais atrasos no plantio da oleaginosa podem comprometer a janela de semeadura do milho segunda safra, aumentando a exposição das lavouras a períodos de menor disponibilidade hídrica.
Feijão e algodão têm perspectivas de redução na produção
Para o feijão, a estimativa é de produção de 295,9 mil toneladas em Goiás, queda de 4,3%. A área cultivada deve recuar 2,7%, para 123,6 mil hectares.
O desempenho varia conforme a época de cultivo. A primeira safra apresenta expectativa de ganho de produtividade, enquanto a produção da segunda safra deve cair para 29,7 mil toneladas, redução de 16,1%. Para a terceira safra, a projeção é de 172,9 mil toneladas.
A disponibilidade de água e o manejo fitossanitário permanecem entre os fatores determinantes para o desempenho da cultura, especialmente nas áreas irrigadas.
No algodão, a área plantada deve alcançar 30,5 mil hectares, crescimento de 2,7%. Entretanto, a redução projetada da produtividade deve limitar a produção de algodão em caroço a 81,9 mil toneladas, queda de 8,7%. A produção de pluma está estimada em 54,6 mil toneladas, recuo de 8,8%.
O início do plantio é esperado a partir de novembro, condicionado às condições de umidade do solo em cada região produtora.
Chuvas irregulares mantêm produtores em alerta
As condições climáticas estão entre os principais fatores de atenção no início da safra. A distribuição das chuvas em Goiás tem ocorrido de maneira desigual, com diferenças importantes entre as regiões produtoras.
Em setembro, temperaturas próximas de 39 °C e precipitações esparsas limitaram a recuperação da umidade do solo no Leste goiano. No Sudoeste, os acumulados informados de 130 milímetros em Mineiros e 100 milímetros em Rio Verde favoreceram parcialmente o armazenamento de água no solo.
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada em 14 de outubro para o período de 14 a 21 de outubro, indicava a continuidade da distribuição irregular das chuvas na região Centro-Oeste.
Nesse cenário, o acompanhamento das condições meteorológicas é fundamental para orientar o avanço da semeadura, reduzir riscos no estabelecimento das lavouras e auxiliar o planejamento das operações agrícolas.
Acompanhamento da safra será decisivo
O primeiro levantamento da Conab indica perspectivas positivas para a produção de grãos em Goiás, especialmente para o milho, que apresenta crescimento expressivo e maior integração com a indústria de etanol. A soja, por sua vez, deve manter uma produção próxima de 20,3 milhões de toneladas, consolidando sua relevância para a economia agropecuária estadual.

Já as projeções para feijão e algodão apontam redução da produção, com resultados condicionados ao desempenho das lavouras e às condições de manejo e disponibilidade hídrica.
A confirmação das estimativas dependerá, principalmente, da regularização das chuvas e do cumprimento das janelas de plantio. Por isso, o acompanhamento dos próximos levantamentos da Conab, dos boletins meteorológicos e da evolução da semeadura será importante para avaliar os riscos e as oportunidades ao longo do ciclo 2026/27, especialmente na relação entre o calendário da soja e a implantação do milho segunda safra.
Acesse a nota técnica clicando no link: https://drive.google.com/file/d/1t5K2IviMtm2FTtTMhwwZXTMdf1L8sMop/view?usp=sharing
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