O município de Silvânia se tornou o maior produtor brasileiro de tomate, em 2025, ao colher 361 mil toneladas do fruto, um crescimento de 77,3% em relação às 203,6 mil toneladas produzidas em 2024. Com esse desempenho, o município ultrapassou Cristalina, que liderou o ranking nacional até o ano anterior e passou a ocupar a segunda posição, após uma queda de 17,4% no volume coletado. Goiás é o maior produtor de tomates no País, com uma produção de 1,65 milhão de toneladas em 2025, 15% mais que no ano anterior, segundo o levantamento da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgado pelo IBGE. 820,8 milhões de toneladas produzidos, e quase três vezes o volume de Minas Gerais.
Goiás também ampliou sua presença entre os principais municípios produtores de tomate do Brasil. Dos dez maiores produtores nacionais em 2025, cinco são goianos: Silvânia (1º), Cristalina (2º), Morrinhos (3º), Vianópolis (5º) e Piracanjuba (7º). Entre os destaques, está o avanço da cultura em Vianópolis, cuja produção quase dobrou no ano passado: de 63 mil toneladas em 2024 para 123,5 mil toneladas em 2025, um incremento de 96%. Hoje, 49 municípios produtores de tomate em Goiás.

Para o presidente do Sindicato Rural de Silvânia, Dalmo Sávio Martins Pereira, que também é produtor de tomates, um fator que contribui para o bom desempenho da cultura é a boa localização de Silvânia, mais próxima de duas grandes indústrias compradoras na região metropolitana: a Heinz, em Nerópolis, e a Cargill, em Goiânia. "Outro fator importante é a tradição de Silvânia em atividades com pivôs, sobretudo para a produção de tomate. Houve uma adesão significativa, neste período, que acabou nos colocando a frente de Cristalina", destaca Pereira. Outro fator é que a produtividade do tomate pode ser sazonal nos municípios.
“Pode ser que, em determinado momento, as condições de desenvolvimento do tomate em Silvânia tenham sido mais desenvolvidas que em Cristalina.” Por isso, segundo ele, é possível que as posições no ranking voltem a mudar na próxima safra 2026. As duas cidades goianas se destacam pela boa altitude, o que favorece o cultivo. No caso de Silvânia, a altitude é acima de 800 metros. “Goiás, além de ser polo de tomate destinado à indústria, também produz bem o fruto para mesa”, ressalta o produtor. A região também é muito tradicional na produção de milho para semente e milho doce. Ele lembra que a cidade ganhou muitos trabalhos nos últimos anos, até por influência da região de Goianápolis, tradicionalmente grande produtora de tomates. “Silvânia é uma grande fornecedora de materiais primários para a indústria, o que nos coloca em condições muito desenvolvidas”, completa.

O sindicalista ressalta que o município tem se destacado pela diversidade da produção, que vai da agricultura à pecuária leiteira, outra atividade crescente e de bom desempenho. Indústrias A produção de tomate industrial obedece a um contrato de produção feito com produtos processadores, que têm metas regidas por um planejamento anual ligado ao desempenho do mercado. Dalmo Martins conta que plantou 52 hectares em 2025 e teve uma produtividade média de 130 toneladas por hectare. A produção abastece a fábrica da Cargill, em Goiânia. “Neste ano de 2026, em função de fatores climáticos, este rendimento deverá ser um pouco menor”, prevê.
Ele alerta que os ganhos do produtor estão relacionados ao bom desempenho da produtividade das atividades. Dalmo trabalha com o filho, o também produtor Murilo Martins, que produz há três anos. Para ele, fatores como a altitude favorável, maior proximidade com as indústrias de Goiânia e as melhorias nas condições de infraestrutura das estradas beneficiam a produção em Silvânia. “As fábricas estão priorizando parcerias na região pelas boas condições de produção e localização”, acredita o produtor.
Essa maior proximidade de Silvânia facilita a logística para as indústrias da capital. Além disso, essas empresas concentram seu corpo técnico mais próximas das sedes em Goiânia. "A questão logística tem pesado para a indústria", pontua produtor.
A mão de obra era um problema, pois a cultura do tomate leva mais gente, mas hoje já temos empresas que fornecem informações de serviço", conta Martins. Segundo ele, a região também teve uma grande evolução de trabalhos irrigados, com muitos novos investimentos em pivôs.

O produtor Marcelo Borges dos Santos, que produz tomate no município de Gameleira, próximo a Silvânia, conta que voltou a produzir depois de 20 anos, após restaurar seu pivô. Ele plantou 78 hectares e deve acima de 120 toneladas por hectare. “O clima está ajudando, apesar de ter começado a chover”, afirma.
O tomate industrial é produzido em parceria com a Cargill. "É uma região muito favorável para a produção. Mais produtores estão produzindo tomate agora, pois o preço é mais remunerador. Quem produz bem, consegue ter lucro", diz.
Renato Caetano, diretor do Sindicato Rural de Cristalina, explica que entre as causas para a redução da produção de tomate no município está o fato das principais empresas de processamento do fruto na região terem reduzidas suas áreas plantadas. "Só uma delas prejudica a área em 30%", destaca. Ele também dá o exemplo de um produtor, que plantou uma grande área para produção de polpa de tomate e que migrou para outros segmentos, o que contribuiu para a queda," conta Renato.
Mas Caetano lembra que Cristalina ainda tem uma forte representatividade na área irrigada, que é a maior do estado, e avançou mais na produção de outras culturas, como alho e cebola, que substituíram o tomate. Além disso, ele lembra que as indústrias de Goiânia, que compram mais em Silvânia, são muito maiores e estão mais distantes de Cristalina, tornando o frete um fator limitador.
Para Lucas Lopes de Castro, assessor técnico da Federação da Agricultura de Goiás ( Faeg ), os produtores de Silvânia passaram a investir mais na expansão da área cultivada de tomate, após mais parcerias com as indústrias. Com 3,8 mil hectares plantados, hoje a cidade responde por 21% da produção goiana, enquanto Cristalina passou a responder por 16,8%.“Os produtores de Silvânia passaram a investir mais em pivôs, insumos e boas sementes”, destaca.
O assessor técnico da Faeg informa que a produção de tomate movimentou R$ 1.580 bilhões em Goiás, em 2025, um crescimento de 17,5% em relação ao ano anterior. “É o quinto produto agropecuário de maior valor dentro do estado”, ressalta. Ao mesmo tempo, Cristalina voltou para outras culturas irrigadas, a exemplo de cereais de inverno, como trigo, e de hortifrútis, como alho, cebola e cenoura.
Só a produção de alho cresceu 17,5% na última safra em Goiás, enquanto o cultivo de cebola avançou 32,6%. Castro lembra que o município também responde pela grande maioria da produção goiana de cenoura.
Por isso, o incremento de outras culturas em detrimento do tomate é considerado uma estratégia dos produtores, que apostaram na diversificação. Considerando todos os produtos das tarefas temporárias e permanentes, Goiás apresentou, em 2025, a maior área plantada da série histórica iniciada em 1988: 9,4 milhões de hectares.
Fonte: O Popular
Comunicação Sistema Faeg
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