Plano Plurianual para a agropecuária com financiamento privado começa a ser debatido

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“É preciso criar um plano plurianual para a agropecuária com financiamento privado, inclusive mercado de capitais”. A afirmação foi feita pelo presidente do Banco Santander, Sérgio Rial, convidado da reunião desta terça-feira (6) entre deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Para o presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), o sistema de financiamento bancário do jeito que está configurado hoje não financia o produtor rural, financia apenas a produção. “Ele, junto com a proteção do governo, salva normalmente seu capital, publica balanço com volumosos lucros, enquanto o produtor fica, na grande maioria, na insolvência”, afirmou.

De acordo com ele, quando se vai trabalhar a atuação dos bancos na produção primária, é preciso perceber que o grande problema é não ter renda. “Temos uma inflação de 3,5% há quatro anos consecutivos e o dinheiro chega na mão do produtor a 16%. E com apelido de subsídio. Isso é muito complicado para nós”, disse.

Para o presidente do Sistema Faeg/Senar , deputado Jose Mario Schreiner (DEM-GO) e vice-presidente na região Centro-Oeste da FPA, é preciso aumentar a inserção do setor financeiro privado no crédito rural. “Existe espaço hoje para que outros investidores venham a investir no setor agropecuário, mas é preciso dar segurança a esses investidores, com seguro rural e outras ferramentas de mitigadores de risco que possam atrai-los, não deixando o risco somente por conta dos produtores rurais no Brasil”, disse.

Segundo ele, as renegociações de dívida agrícola no país – problema crônico atualmente – advêm da falta de uma política de segurança ao crédito. “E quando damos segurança ao crédito, muitas vezes o seguro cobre apenas a parte do banco, do crédito. Mas não cobre os recursos próprios”.

O parlamentar destacou que, a cada ano, são mais curtos os recursos do Tesouro Nacional e o financiamento oficial é pequeno. “Precisamos criar um atalho mais rápido para o mercado. O seguro este ano aumento de 400 milhões para 1 bilhão de reais, mas ainda é pouco para as nossas necessidades”.

Rial destacou ainda que “a taxa de juros no Brasil não deve subir. E é uma taxa que não se vê desde a década de 50. Temos uma grande oportunidade de construir algo. Chegou a hora de montar esse plano, de ver como iremos fazer essa transição”, disse, acrescentando que há assimetrias e monopólios no sistema bancário que precisam mudar.

Segundo ele, a cadeia do agro toma de 900 bilhões a 1 trilhão de reais de crédito rural, sendo 1/3 desse valor financiado pelos próprios produtores, 1/3 pelas tradings e 1/3 pelos bancos. “No entanto, dessa fatia dos bancos, o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste detêm 70% do mercado. A carteira do Santander, que era de R$ 7 bilhões há quatro anos, deverá ser de R$ 21 bilhões reais no fim do ano, o que, embora tenha crescido, ainda é pífio”.

Ele alertou ainda para a acomodação da taxa de juros. “Temos um crédito rural a 8%, uma Selic a 6% e um nível de competitividade que só vai aumentar. A capacidade do Estado brasileiro nos próximos dois, três anos, de promover vários produtos vai ser mais difícil. Acho que o Pronaf, em particular, é o grande produto que vai caber ao Estado brasileiro continuar apoiando e fomentando”.

O deputado Evair de Melo (PP-ES) manifestou preocupação com o endividamento rural brasileiro. “A agricultura é um negócio a céu aberto e agricultor não tem contracheque. O seguro não funcionou, a legislação é precária e omissa, e o agronegócio está com muita dificuldade de honrar compromissos simplesmente porque o custo da produção é maior que o custo de vendas”.

Fonte: Agência FPA

Comunicação Sistema Faeg/Senar

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