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Brasil ainda precisa de adequações para se beneficiar da abertura do mercado chinês

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A China anunciou a abertura de seu mercado aos derivados de leite do Brasil, como leite em pó, queijo, iogurte e leite condensado. GOIÁS tem três indústrias na lista dos 24 estabelecimentos habilitados para exportar para o mercado chinês. Mas representantes do setor lácteo em GOIÁS não acreditam que essa entrada dos produtos lácteos na China será assim tão fácil. Para eles, o Brasil ainda precisa reduzir seus custos para produzir leite e derivados lácteos mais competitivos em relação a outros países, se quiser vencer esta corrida global.

A medida, anunciada pelo Ministério da Agricultura, foi comemorada por associações nacionais do setor, que esperam vender pelo menos US$ 4,5 milhões até o fim de 2020 para o gigante asiático. Isso seria uma expansão de quase 10% das exportações do setor, que somaram US$ 58 milhões em 2018, ainda muito pequenas frente aos US$ 480 milhões em produtos lácteos que foram importados.

A lista dos 24 estabelecimentos do País habilitados tem três indústrias goianas: Itambé Alimentos (leite em pó e manteiga), Laticínios Bela Vista (leite em pó) e Laticínios JL (queijos). Vale lembrar que o Estado tem 81 estabelecimentos com Serviço de Inspeção Federal (SIF). O Brasil produz cerca de 600 milhões de toneladas de leite, enquanto a China, maior importador global, compra hoje cerca de 800 milhões de toneladas de outros países.

Mas, para o diretor executivo do SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DE LATICÍNIOS do Estado (Sindileite), Alfredo Luiz Correia, tudo ainda dependerá de negociações, ou seja, os preços pagos. Segundo ele, o Brasil tem indústrias e produtos lácteos para vender, mas outros países estão mais perto da China e têm preços menores, como a Nova Zelândia, por terem uma maior eficiência produtiva. "Existem fábricas lá que recolhem 800 mil litros de leite num raio de 8 quilômetros apenas e em vários locais o produto chega em vagões de trem", destaca.

Além disso, enquanto as vacas neozelandêsas são menores e comem pasto natural, os animais brasileiros são maiores e o produtor brasileiro gasta muito com suplementação. "Tudo isso somado representa um custo maior de produção no Brasil", destaca. Enquanto o custo do litro de leite lá fora varia de US$ 0,27 a US$ 0,31, no Brasil chega a US$ 0,37. Para Alfredo, se o Brasil não quiser ser um mero importador de produtos lácteos da União Europeia, como queijos, precisará aumentar sua eficiência produtiva

Custos

Segundo o diretor do Sindileite, muitos produtores nem conhecem seu custo de produção, apesar de reclamarem dos preços pagos atualmente. Ele também dá o exemplo do leite do Chile e Uruguai, cujo litro sai por US$ 0,29 e é mais competitivo que o brasileiro. "Essa abertura da China será muito positiva, desde que tenhamos competitividade", alerta.

Na visão do presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da Federação da Agricultura do Estado (Faeg), José Renato Chiari, hoje há um equilíbrio entre oferta e demanda de leite no País, com a produção muito próxima do consumo. Mas, segundo ele, se o Brasil conseguisse exportar mais 4% ou 5% de sua produção já daria uma maior segurança ao produtor. Porém, há o problema dos custos de produção, como impostos, encargos trabalhistas e os custos dos insumos em geral.

"Temos condições de produzir de forma mais eficiente e barata, mas temos custos que outros países não têm", alerta. Segundo ele, até mesmo os custos ambientais pesam para o produtor, como a obrigação de manter uma reserva de 20% na propriedade. "Teoricamente, se vendermos um pouco mais de nossa produção já teríamos uma maior ajuda para o produtor nessa relação de oferta e demanda, o que pode melhorar os preços", prevê.

País precisa de mais eficiência

Goiás é o quinto produtor nacional de leite, com uma produção de 3 milhões de toneladas anuais, mas os produtores locais estão reclamando dos baixos preços pagos atualmente. Hoje, a maior parte do leite importado pela China é proveniente da Nova Zelândia, que vende US$ 4 bilhões anuais de leite em pó e derivados para os chineses, o equivalente a 36% do mercado chinês. Por isso, na comparação com os números neozelandeses, a expansão das exportações brasileiras com a abertura do mercado chinês, que tem mercado crescente, pode ser considerada irrisória. Apesar da boa notícia para os produtores brasileiros, o setor ainda carece de ajustes para adequar seus custos e preços e ganhar produtividade para ser mais eficiente. Além disso, há muitos problemas logísticos do produtor rural até os portos brasileiros para exportação, que também elevam o chamado "custo Brasil".

Texto: O Popular

Foto: Divulgação

Comunicação Sistema Faeg/Senar

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