Direito de propriedade é relativizado todos os dias no Brasil, diz presidente da CNA

Imagem

Brasília (18/10) - A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, defendeu nesta sexta-feira (18/10) o fim da insegurança jurídica no campo e criticou a relativização do direito de propriedade. “O direito de propriedade na Constituição é muito claro. É um pilar da democracia, mas, no Brasil, é relativizado todos os dias nas questões indígenas, fundiárias, quilombolas, no meio ambiente ou na reforma agrária”, ressaltou.

O tema foi abordado pela senadora no painel “Cooperativismo e Agronegócio”, no último dia do XVI Congresso Brasiliense de Direito Constitucional, promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) em Brasília. Segundo Kátia Abreu, Apesar de a Constituição trazer conceitos que beneficiam o produtor rural, que poderiam ser regulamentados pelo Congresso nacional, a Carta Magna esta é ignorada pelas Organizações Não Governamentais (ONGs) e pelo poder público, que hoje “alijam” o Legislativo das discussões.

Um dos exemplos de relativização do direito de propriedade mencionados pela presidente da CNA é relacionado à questão indígena, que tem gerado conflitos no campo, diante do estímulo de ONGs ao descumprimento da lei. “É o pior dos mundos. Temos uma vocação extraordinária fantástica para a paz, que vem do brasileiro, do índio, do branco, do negro. Mas, por outro lado, somos um país primitivo guerreando por um pedaço de terra”, afirmou.

Ela recorreu à Constituição para lembrar que as terras indígenas no Brasil são aquelas existentes e ocupadas até 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Carta Magna, que também estipulou prazo de cinco anos a partir de então para identificar as terras indígenas no país. Entretanto, nestes 25 anos de Constituição, o número de terras indígenas aumentou 588%. “Isso foi totalmente desrespeitado e hoje temos 13% do nosso território ocupado por terras indígenas”.

Para a senadora, muitas destas áreas foram criadas, ignorando a determinação constitucional. Prevaleceu a influência das ONGs sobre o Poder Executivo, estimulando invasões às propriedades rurais. “Querer terra é um direito de todos. Mas as coisas não podem acontecer ferindo a Constituição. Não se pode satisfazer o desejo de um invadindo o direito de outro. Se há equívocos na lei, discutimos no Congresso Nacional e mudamos”, frisou.

Outro tema levantado pela senadora foi a questão quilombola, que também tem gerado insegurança jurídica no campo. Uma das razões é o decreto 4.887/03, que definiu como critérios a autodefinição e autoatribuição para reconhecimento das comunidades remanescentes de quilombos. Neste contexto, muitas áreas reivindicadas são ocupadas por famílias de produtores rurais, legalmente titulados.

“Basta eu me juntar a cinco pessoas, dizermos que somos remanescentes de quilombos e definirmos a área que queremos e a Fundação Palmares (ligada ao Ministério da Cultura) nos dá o reconhecimento definitivo e encaminha o processo ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)”, explicou. Em 1988, havia 56 comunidades remanescentes de quilombos reconhecidas, número que subiu para 1.324 hoje. Com o decreto, os pedidos de reconhecimento destas comunidades chegaram a 5,5 mil. Há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra esse decreto, aguardando julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Na parte ambiental, a senadora criticou as unidades de conservação “de papel”, cujos processos de criação não foram concluídos, alguns com áreas indicadas há mais de 70 anos. Estas unidades “de papel” representam 50% das unidades de conservação existentes no país, e representam 14,5% do território nacional, disse Kátia Abreu. Ela explicou que, quando uma propriedade rural está indicada em uma área onde será criada a unidade de conservação, a fazenda deixa de ser considerada produtiva imediatamente.

No entanto, após a criação, há vistoria do local pelo poder público, e depois os produtores devem ser indenizados. Todo este trâmite não pode passar de cinco anos. Se este prazo for ultrapassado, a terra tem de ser devolvida ao produtor. Mas metade destas áreas não teve o rito legal concluído após os cinco anos nem foram devolvidas aos produtores, o que traz a insegurança jurídica ao setor, ou seja, o produtor perde o título da propriedade e demora muitos anos para ser indenizado, vivendo em uma área que deixou de ser sua.

Na questão agrária, a senadora falou sobre as faixas de fronteiras, onde estão 10% das propriedades rurais brasileiras que têm sido submetidas às mesmas regras de desapropriação para fins de reforma agrária. Pela legislação específica para esta situação, os produtores devem ocupá-las para receber o título e produzir em 50% da área.

A senadora criticou, ainda, os índices de produtividade impostos aos produtores pra avaliar se a propriedade é ou não produtiva: Grau de Utilização da Terra (GUT) e o Grau de Eficiência de Exploração. Para a propriedade ser considerada produtiva e não ser destinada à formação de assentamentos, esta deve cumprir, simultaneamente, 80% de GUT e 100% de GEE.

Áreas de atuação

Veja também

CNA

Notícias

CNA avalia que redução de PIS/Cofins sobre diesel pode mitigar impactos da alta dos combustíveis.

Academia

Notícias

Academia de Formação do Senar Goiás divulga resultado preliminar das primeiras etapas do processo seletivo 2026

Mulheres

Notícia

Mulheres conquistam espaço na mecanização agrícola por meio de cursos do Senar Goiás

Imagem