Faeg lamenta redução de recursos equalizados e dificuldades no acesso ao crédito no Plano Safra 2026/2027


Análise da Federação da Agricultura e pecuária de Goiás, aponta além de corte de recursos em linhas estratégicas de crédito, ausência de anúncio para seguro rural e cenário desafiador diante do aumento dos custos e dos eventos climáticos

O anúncio do Plano Safra 2026/2027 trouxe preocupação ao setor agropecuário em razão da redução de recursos equalizados considerados estratégicos para sustentar a produção no campo. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), que destaca cortes em algumas linhas de crédito, redução dos recursos equalizados e ausência de definição para a subvenção do prêmio de seguro rural.

Entre os pontos de atenção está a diminuição dos recursos destinados ao custeio da produção, justamente em um momento em que os produtores enfrentam aumento nos custos e maior necessidade de capital para garantir plantio, aquisição de insumos e manutenção da atividade rural. Também houve redução dos recursos equalizados, aqueles que recebem apoio do governo para diminuir o custo dos financiamentos, passando de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, queda de 14,7%.

De acordo com Edson Novaes, gerente do Grupo de Estudos Técnicos Econômicos da Faeg, Getec, o cenário exige atenção porque o acesso ao crédito continua sendo um dos principais desafios para o produtor.

“Apesar da redução de 1% a 1,5%nas taxas de juros em algumas linhas de financiamento, ainda é insuficiente diante do nível de endividamento enfrentado pelo produtor rural e das dificuldades de acesso ao crédito. Além disso, boa parte dos recursos do Plano Safra continua operando com juros livres, que chegam entre 15% e 19% ao ano”, afirma.

A análise também aponta redução em programas importantes para modernização e expansão da atividade agropecuária. O PCA teve redução de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,4 bilhões; o Moderfrota caiu de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões; o Inovagro passou de R$ 6,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões; e o RenovAgro reduziu de R$ 5,8 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

Embora os investimentos tenham registrado aumento de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, a Faeg ressalta que parte desse crescimento ocorreu com a inclusão de fundos que tradicionalmente não fazem parte do crédito rural.

Outro ponto destacado pelo setor é a ausência de anúncio sobre a subvenção ao prêmio do seguro rural. No ciclo anterior, foram anunciados R$ 1,01 bilhão, mas apenas R$ 565 milhões foram efetivamente subvencionados. Para o novo Plano Safra, entidades do agro defendiam a destinação de R$ 4 bilhões para fortalecer a proteção do produtor diante das perdas climáticas.

Segundo Edson Novaes, o próximo ciclo agrícola deverá ser marcado por fatores que aumentam a pressão sobre o campo.

“O produtor entra na próxima safra enfrentando desafios importantes como eventos climáticos extremos, possibilidade de influência do El Niño, endividamento elevado, aumento dos custos de produção e redução da rentabilidade em várias cadeias produtivas”, destaca.

Mesmo diante desse cenário, a expectativa nacional segue positiva para o volume produzido. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento de 1,8% na produção brasileira, passando de 352,2 milhões para 358,6 milhões de toneladas. Em Goiás, no entanto, a previsão é de retração de 9,1%, com queda de 37,3 milhões para 33,9 milhões de toneladas, influenciada principalmente pelo desempenho do milho segunda safra.

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Comunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag

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