Altas do dólar e do petróleo podem elevar custos de fertilizantes, combustíveis e aumentar a volatilidade da soja e do milho
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã no Oriente Médio já provoca reflexos nos mercados globais e acende um sinal de atenção para o agronegócio brasileiro, especialmente em Goiás. O primeiro impacto aparece no câmbio e no petróleo. Em momentos de instabilidade geopolítica, cresce a aversão ao risco e investidores buscam ativos considerados mais seguros, como o dólar e títulos do Tesouro americano. Esse movimento fortalece a moeda norte-americana frente ao real, pressionando custos de importação e influenciando a formação de preços das commodities.
No mercado de energia, a tensão em uma das regiões mais estratégicas para o transporte global de petróleo adiciona prêmios de risco e eleva o custo do frete marítimo. A alta do petróleo afeta cadeias produtivas que dependem intensamente de combustíveis e energia, como é o caso do agronegócio.
Segundo Leonardo Machado, gerente do Ifag, Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, o impacto dessa crise vai muito além do Oriente Médio. "O risco geopolítico reajusta preços e pode pressionar insumos que dependem de energia e logística para produção e transporte. O aumento do petróleo tem efeito direto sobre fertilizantes e combustíveis, dois pilares centrais do custo agrícola", informa.
No caso dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, a produção depende fortemente de energia e gás natural. Com a alta internacional, os preços sobem e, com o dólar valorizado, o impacto se amplia no Brasil. “Essa volatilidade pode gerar elevações nos preços internacionais dos fertilizantes e, com o dólar mais forte, essa alta chega de forma ainda mais intensa ao produtor brasileiro”, afirma Machado.
Em Goiás, um dos maiores produtores de soja, milho e proteína animal do país, o efeito tende a ser sentido de forma direta. O estado depende de fertilizantes importados e tem forte participação no mercado exportador. Os custos também sobem, principalmente em relação a insumos e diesel.
A cadeia de proteínas, especialmente aves e suínos, pode enfrentar pressão adicional caso o milho registre valorização, já que o grão é base da ração animal. "O aumento do petróleo também pode estimular os biocombustíveis. O óleo de soja, matéria-prima do biodiesel, tende a se valorizar em cenários de petróleo caro, influenciando a formação de preços da soja em grão. No médio prazo, o etanol de milho, segmento em expansão em Goiás, pode ganhar competitividade, alterando a dinâmica regional do cereal", ressalta o gerente do Ifag. Isso significa um cenário que exige atenção redobrada na gestão de custos e na estratégia de comercialização, especialmente em um momento decisivo de planejamento da próxima safra.
"Embora o conflito esteja geograficamente distante, seus efeitos econômicos são imediatos e globais. Para um estado fortemente integrado ao comércio internacional como Goiás, o cenário reforça a importância do monitoramento constante do câmbio, da energia e do mercado internacional de insumos, variáveis que podem redefinir margens e decisões no campo nos próximos meses", conclui.
Comunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag