Plano Safra 2026/27 para Agricultura Familiar amplia recursos, mas setor aponta que demandas ficaram abaixo do esperado



O Governo Federal lançou o Plano Safra 2026/2027 voltado à Agricultura Familiar com previsão de R$ 97,3 bilhões em recursos e R$ 85,2 bilhões destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Dentro desse total, serão R$ 40 bilhões para operações de custeio e comercialização e R$ 45,2 bilhões para investimentos.

Entre as medidas anunciadas também está a manutenção de condições diferenciadas de financiamento, com taxas de juros variando de 0,5% a 7,5con% ao ano para parte das linhas de custeio agropecuário. No entanto, atividades como soja e pecuária de corte permanecem com condições menos favorecidas dentro do programa, chegando a taxas superiores às defendidas pelo setor produtivo.

Outra novidade do plano do Pronaf Mais alimentos em relação a ampliação do limite para financiamento a construção ou reforma de moradias em imóveis rurais pertencentes às beneficiárias do programa. Para famílias com renda anual de até R$ 150 mil, o limite de financiamento passa a ser de até R$ 100 mil (5% a.a). Já para famílias com renda de até R$ 500 mil, o teto será ampliado para até R$ 150 mil (7,5% a.a).
Além disso, o governo anunciou como meta ampliar os recursos destinados ao Programa de Aquisição e Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com previsão de alcançar R$ 3,65 bilhões em 2026, fortalecendo a compra institucional de alimentos produzidos pela agricultura familiar e ampliando o estímulo à produção no campo.

Apesar do aumento anunciado, representantes do setor avaliam que o volume disponibilizado ainda não atende plenamente às necessidades apresentadas pelas entidades ligadas ao agro. Durante as discussões do Plano Safra, as federações de agricultura e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defenderam uma ampliação mais robusta dos recursos, além da manutenção de taxas mais competitivas para ampliar o acesso ao crédito e estimular investimentos.

Para Lucas Lopes, assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás Faeg, apesar dos avanços anunciados, o Plano Safra ficou abaixo do que foi defendido pelas entidades do setor durante as negociações.

“Reconhecemos medidas positivas no Plano Safra 2026/27 para a agricultura familiar, mas aquilo que as federações de agricultura do país solicitaram não foi contemplado como deveria. O setor defendia um volume de R$ 104,9 bilhões para atender a demanda crescente por crédito e investimentos, enquanto o Pronaf foi anunciado com R$ 85,2 bilhões. Também houve solicitação para manutenção de taxas nominais limitadas a até 4% ao ano para preservar a atratividade do crédito rural. No entanto, atividades importantes para diversas regiões, como soja e pecuária de corte, ficaram com juros de 7,5% ao ano. São diferenças que impactam diretamente a capacidade de investimento, modernização e competitividade dos produtores familiares”, afirma Lucas Lopes, assessor técnico da Faeg. Ele acrescenta que a ampliação do crédito com condições mais favoráveis é essencial para garantir a sustentabilidade da produção no campo.

Segundo avaliação técnica da entidade, o cenário de custos elevados de produção, restrições de crédito e necessidade crescente de investimentos em tecnologia e produtividade continua exigindo atenção para que os recursos anunciados tenham efetiva capacidade de atender os produtores familiares.

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Comunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag

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