Qualificação fortalece a arte e o empreendedorismo

Artesãs de Formosa encontram na união maneiras de vender e lucrar com seus produtos, depois de participarem do Proarte do Senar Goiás

Em Formosa, município que fica a 280 quilômetros de Goiânia, Danúbia Luiza Alves Freitas conciliou, por cerca de 18 anos, a produção de laços para bebês, adultos, pets e decoração com a rotina de dona de casa. A comercialização dos produtores era feita sem muita expectativa de crescimento, mesmo estando há tanto tempo no ramo de artesanato. Mas nos últimos meses ocorreu a virada de chave, graças ao Programa de Gestão da Produção Artesanal (Proarte), oferecido pelo Senar Goiás.

“Eu passei a enxergar além das minhas habilidades técnicas. Aprendi a me comunicar, a valorizar o que faço para as outras pessoas, a colocar o preço correto. Passei a ver que cada peça que faço não é apenas um laço, é um produto artesanal, exclusivo que não tem dois iguais. Percebi que quando a gente acredita, os clientes valorizam isso”, detalha.

O curso foi realizado pela Associação Brasileira de Produtores de Grãos (Abrasgrão) de Formosa, em parceria com o Senar Goiás. “O curso oferece capacitação completa, combinando o ensino de técnicas manuais de artesanatos, com estratégias de venda e gestão de negócios, permitindo que as participantes transformem seu talento em uma fonte de renda. O impacto foi tão significativo que seis mulheres decidiram seguir juntas, formando um grupo dedicado ao aperfeiçoamento e comercialização de seus produtos. Hoje, elas continuam firmes no projeto, conquistando clientes e ampliando suas oportunidades no mercado. Já estão obtendo retorno financeiro, utilizando o artesanato como complemento de renda e fortalecendo sua independência econômica”, detalha a mobilizadora da Abrasgrãos, Rayra Pereira da Silva.

Logo depois do curso, a Associação ofereceu uma sala para uma edição especial de vendas e para que as artesãs fossem estimuladas a permanecer com a união do grupo dando visibilidade aos produtos. “Esse período foi ótimo, em um dos dias eu tirei mais de mil reais”, relembra Danubia.

Com o objetivo de ter um portfólio maior, as mulheres fizeram cursos de crochê, trançado em couro, confecção de bolsas em tecido e fibras naturais, buscaram o desenvolvimento pessoal e profissional em áreas como oratória e comunicação, fortalecendo a capacidade de apresentar e vender os trabalhos com mais confiança.

Um outro exemplo de transformação entre as mulheres do Terra e Talentos, nome do grupo de artesãs, é o da Vauinaria Carvalho. Crocheteira de mão cheia, ela diz que não tinha noção do seu talento, tanto que dava a maior parte das peças de presente. “Eu não sabia quanto cobrar. Às vezes cobrava só o material. Então com o Proarte eu me descobri como pessoa, como profissional. Antes eu tinha vergonha de falar do meu trabalho, de valorizá-lo. Hoje é diferente. Eu sei que o que faço tem reconhecimento, mas isso veio depois que aprendi a valorizar o meu talento, com os ensinamentos do Proarte”, descreve a Vau, como também é conhecida na cidade.

Hoje os artesanatos são vendidos numa tenda montada no Parque Itiquira e também em um box no Centro de Artesanato Neusa de Oliveira, ambos em Formosa e também em feiras. A Vau comercializa também as peças de crochê no Instagram @vauinariacarvalho e os laços da Danúbia podem ser encontrados no @artsmimosdanubia.

Em 2024, o Senar Goiás realizou mais de 1800 treinamentos de Promoção Social, sendo aproximadamente 400 deles na área de artesanato, com o ProArte, totalizando, assim, a capacitação de mais de cinco mil pessoas. “Um aspecto fundamental das nossas ações é considerar o acesso que os participantes, em sua grande maioria do interior e da zona rural, têm às matérias-primas. Nesse contexto, incentivamos o aproveitamento e o uso de materiais disponíveis e abundantes em suas regiões. Essa abordagem não só valoriza os recursos locais, mas também promove a sustentabilidade e desperta a criatividade do participante no desenvolvimento de peças únicas”, reforça a gerente de Promoção Social, Simone Oliveira.

O Proarte contribui também para mobilizar e organizar grupos para a produção artesanal, fomentando o associativismo, propondo a elaboração de plano de negócios, com foco no desenvolvimento de produtos que atendam às tendências e necessidades do mercado. Para ter acesso a ele basta procurar os Sindicatos Rurais ou associações de produtores. “Temos visto um aumento na renda e na nossa qualidade de vida. E é gratificante mostrarmos que com o que aprendemos com o Senar Goiás, encontramos meios para um futuro melhor principalmente para quem vive no campo, no interior do nosso estado”, conclui Danúbia.

Comunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag

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