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No campo goiano existe um vão desafiador. De um lado, produtores que precisam contratar e não encontram gente preparada. Do outro, trabalhadores em busca de uma oportunidade que muitas vezes está a poucos quilômetros de casa, mas que nunca chega ao seu conhecimento. Entre os dois, está um dos gargalos do emprego rural.
Hoje o agro representa mais de 27% dos empregos formais em Goiás. A mecanização, a agricultura de precisão e a chegada da tecnologia embarcada redesenharam o trabalho rural. O braço deu lugar ao conhecimento. Onde antes se pedia força, hoje se pede a capacidade de operar uma colhedora guiada por satélite, de interpretar dados de produtividade, de manejar um rebanho com critério técnico.
A cada ano, o setor oferece dezenas de milhares de postos formais e, ainda assim, muitos deles permanecem em aberto por semanas. Não por ausência de mão de obra, mas por ausência de conexão. O produtor de uma cidade do interior raramente tem como anunciar sua vaga além do boca a boca local; o trabalhador, por sua vez, não tem onde procurar de forma organizada. A oferta e a procura existem, mas não se encontram.
Reduzir esse vão é uma tarefa que exige mais do que boa vontade. Exige infraestrutura, tecnologia e presença no território. Foi com esse propósito que o SENAR Goiás estruturou o Talentos do Campo, uma plataforma que reúne, num só lugar, as vagas do agro goiano e os candidatos interessados nelas.
Assim a conexão se completa. Não basta aproximar o trabalhador da vaga se ele não tiver a qualificação exigida. Por isso, a mesma instituição que dá visibilidade às oportunidades prepara para elas: são formados operadores, técnicos, profissionais da pecuária e gestores. Exatamente os perfis que aparecem, dia após dia, na ponta da demanda.
Em alguns casos, a demanda por mão de obra é tanta que as empresas rurais solicitam até feirões de emprego especiais na propriedade, e muitos candidatos são selecionados para serem treinados de acordo com as necessidades da vaga. Essa iniciativa também é mediada, até a finalização da contratação, pelo Senar Goiás, por meio do Talentos do Campo.
Quando uma vaga é preenchida no interior, uma família ganha renda, uma propriedade ganha produtividade e uma cidade pequena ganha uma razão a mais para reter seus jovens. O emprego rural qualificado combina interiorização, formalização e melhoria salarial ao mesmo tempo. E cada conexão bem-sucedida é, na prática, um freio ao esvaziamento do campo. Toda a sociedade lucra. Ainda há muito a avançar. Mas o caminho está traçado, e a direção é clara: transformar o descompasso em encontro, em elo.
O futuro do trabalho no agro goiano não depende apenas de quantas vagas o setor será capaz de criar. Depende, também, da iniciativa de fazer com que cada uma delas encontre a pessoa preparada. Reforçar esse elo é hoje um dos investimentos mais concretos que Goiás pode fazer em seu próprio desenvolvimento.