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Xico Graziano analisa nova agenda da agricultura

Xico Graziano Seminário IrrigaçãoMichelle Rabelo e Gilmara Roberto

“Não podemos confundir alhos com bugalhos”, disse o engenheiro agrônomo e ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, durante o 1º Seminário Estadual de Irrigação. Ao usar o trocadilho, o colunista do jornal Estado de São Paulo fez referência à utilização da água no meio urbano, na agricultura e no cenário industrial. “Cada coisa é uma coisa. Os produtores rurais cuidam do recurso hídrico, protegendo as nascentes e devolvendo a água da mesma forma ao meio ambiente. O que precisam agora é incluir a sustentabilidade na nova agenda rural da agricultura”, disse. O evento, realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar), acontece durante toda esta quinta-feira (7), em Goiânia.

O objetivo geral 1º Seminário Estadual de Irrigação é discutir o setor de irrigação em Goiás e no mundo, com destaque para a necessidade de o produtor repensar a utilização da água para a produção de alimentos. Além disso, a gestão da água e o papel dos Comitês de Bacias Hidrográficas também entram na pauta do dia. Para Graziano, o uso racional da água é a nova agenda da agropecuária, o que obriga os produtores a utilizar o recurso hídrico com consciência e investir em tecnologia. “Agora, o agricultor tem que se preparar, e nesse momento o Senar Goiás é valioso demais”.

Público Seminário IrrigaçãoGraziano ministrou a palestra de abertura com o tema “Irrigação agrícola e desperdício de água” e durante 50 minutos falou para estudantes, produtores, técnicos e representantes do poder público estadual, sobre a importância da informação correta na construção das notícias que irão formar a opinião de muitos brasileiros. “O país se urbanizou muito rapidamente e o agricultor virou caipira nesse processo. O fato é que precisamos investir mais em comunicação, na apresentação de dados corretos e na busca pela desmitificação do produtor vilão”.

Como exemplo, ele destacou as manchetes de alguns veículos de comunicação que colocam a agropecuária como grande vilã do desperdício de água no Brasil. “Li que, segundo a ANA, 61% da retirada de água dos mananciais brasileiros se destina ao uso rural, assim distribuído: 54% na irrigação agrícola, 6% nos bebedouros dos animais e 1% nas residências da roça. No meio urbano, os domicílios demandam 27% da água e a indústria capta 12%. Quando vi aquilo quis saber mais e descobri que ninguém sabe de onde vem essa conta. São estimativas históricas”, destacou.

José MárioFuturo da irrigação
Sobre o futuro da irrigação, Xico Graziano é enfático ao dizer que a atividade ainda vai crescer muito. “Vivemos em uma demanda mundial por proteína e o Brasil tem perfeitas condições de aumentar suas áreas irrigadas - desde que faça isso com uma gestão de recursos hídricos nas bacias hidrográficas e faça o uso racional da água”, pontua.

Dando as boas-vindas ao engenheiro agrônomo, o presidente da Faeg e do Conselho Administrativo do Senar Goiás, José Mário Schreiner, fez questão de destacar a importância de um evento como o Seminário em um estado com potencial tão grande para irrigação como Goiás. “As questões do uso da água, da segurança hídrica e da segurança alimentar precisam caminhar juntas. Não há produção de alimentos sem água e isso precisa ficar claro tanto na cabeça de quem produz, quanto na cabeça de quem consome. Para se ter uma ideia, no mundo são produzidos 5,5 milhões de toneladas de alimentos/ano. Um total de 20% da área desta produção é irrigada. No Brasil, 8% da área agricultável é irrigada. Como vamos fazer isso sem uma gestão consciente do uso da água?”, questionou.

Sobre o papel da Faeg e do Senar Goiás dentro da questão meio ambiente, Schreiner destacou os vários treinamentos voltados ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), a produção de cartilhas informativas e as várias reuniões das Comissões Técnicas que devem culminar na criação do Programa Conservação de Água e Solo.

seminario de irrigacao faeg 07 05 2014 fredoxcarvalho 112Goiás na frente
Para o vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Agricultura e Irrigação, José Eliton Júnior, Goiás encontra-se em uma situação confortável quando comparado a outros estados. “Temos aqui três grandes projetos na área de irrigação em andamento com o intuito de fomentar a produção no campo”, disse, se referindo aos projetos – em andamento - de irrigação Flores de Goiás, Luiz Alves e Umburuçu, que já são temas de discussões junto à Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) - e com o Ministério da Integração. “Além disso, estamos desenvolvendo um grande programa de barramento para irrigação de salvamento contra eventuais crises hídricas temporâneas, como a que ocorreu em janeiro deste ano. Nossa intenção é dar suporte ao produtor, com destaque para o pequeno“, explicou.

Programação
A programação do 1º Seminário Estadual de Irrigação será dividida em dois painéis que discutirão a “Visão do Setor de Irrigação em Goiás e no mundo” e a “Gestão dos Recursos Hídricos”. Além de Xico Graziano, falam aos presentes Ivo Mello (representante da Associação dos Arrozeiros de Alegrete no Conselho Nacional de Recursos Hídricos), Lineu Rodrigues (gerente geral da Embrapa Cerrados) e Paulo Lipp João (Coordenador de Projetos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul), entre outras autoridades.

Em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o evento pretende apresentar estudos e visões técnicas desenvolvidas por produtores irrigantes e pesquisadores para que a água, recurso natural indispensável para a sobrevivência humana, seja utilizada com responsabilidade na produção de alimentos.

Demanda por alimentos
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a população mundial chegará a 9,3 bilhões de pessoas até 2050. Isso exige que a produção de alimentos cresça 70%, sendo o Brasil responsável por 40% dessa nova oferta.

Para produtores e técnicos, será o desenvolvimento e aplicação de tecnologias na produção rural, especialmente em irrigação, que tornará possível o aumento da oferta de alimentos de maneira sustentável. “Nosso país já deu um grande salto aumentando a produção de grãos em 297%, passando de 46,9 milhões de toneladas para os 200 milhões de toneladas da última safra. Com uma expansão de apenas 43% na área plantada, os produtores pouparam mais de 70 milhões de hectares. Isso foi possível graças às tecnologias e práticas modernas adotadas pelo setor”, afirmou a consultora técnica do Senar Goiás para a área de Meio Ambiente, Jordana Sara.

Além de apresentar um diagnóstico completo da irrigação em Goiás, o Seminário discutirá ainda as providências legais a serem tomadas para produção em áreas irrigadas.

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