Inovar e desenvolver o agro

Sugestão banco imagem ABREJá faz tempo que o campo se tornou modelo de avanço tecnológico no País. Isso porque, ano após ano, a tecnologia vem garantindo grandes resultados ao agronegócio. Mas é preciso investir ainda mais em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil investe menos de 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa. Considerando a importância que o agronegócio tem para a economia brasileira, o ideal seria que estes investimentos fossem próximos de 2% do PIB. A grande oportunidade de avanço é a integração entre as pesquisas realizadas, assegurando maior complementaridade entre as pesquisas que são feitas em ambiente público e privado.

Para o chefe-Geral da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido Elenor Wander, em tempos de recursos escassos, as parcerias representam uma forma de viabilizar pesquisas que não seriam possíveis de forma isolada. “Atores públicos e privados precisam atuar de forma complementar. Este é o marco legal da ciência e tecnologia, a integração entre instituições de pesquisa e empresas privadas”, comenta. Ele explica que ao longo das últimas décadas, houve momentos em que apenas o setor público investia em pesquisa. Mas, em anos mais recentes, o setor privado também tem se dedicado ao desenvolvimento de pesquisas voltadas ao agronegócio.

Tecnologia e gestão

Quem apostou em pesquisa e desenvolvimento foi o diretor presidente da Siagri, Carlos Barbosa. No mercado há quase 20 anos, a empresa goiana de software para agronegócio nasceu em Rio Verde, com a necessidade de controlar riscos das oscilações do mercado, viabilizado por investimentos em qualidade de produtos e P&D. Atualmente, a Siagri oferece soluções de tecnologia para gestão da cadeia produtiva de grãos, cereais e fibras, incluindo operações de indústrias de insumos, fertilizantes e adubos, distribuição de insumos agrícolas, varejo agropecuário, produção agrícola, armazéns gerais e cerealistas, sementeira, algodoeira e agroindústria.

Para apoiar os clientes no uso das soluções, a empresa oferece ainda serviços como Ensino a Distância (EAD), treinamentos e consultorias. Segundo Carlos, empresas que desejam continuar competitivas e diferenciadas, precisam se adaptar e aderirem às novas tecnologias. “Não basta produzir mais. É preciso produzir melhor. Isso demanda planejamento, segurança, otimização, recursos, comunicação fluída em toda cadeia produtiva e mão de obra profissionalizada e especializada”, destaca.

Inovação a todo custo

Levar informação ao produtor rural, com novas tecnologias de produção, comercialização e gestão, proporcionando maior sustentabilidade e crescimento ao agronegócio. Este é um dos objetivos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Sistema Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás). Foi exatamente neste intuito que o Sistema criou o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), permitindo centralizar dados, instrumentalizar pesquisas necessárias ao setor e às diversas atividades desenvolvidas no meio rural. Levantamentos de preços pagos e recebidos pelos produtores, estatísticas diversas (produção, rebanho, áreas plantadas e colhidas, exportações, etc.) bem como outras pesquisas que contribuam para subsidiar as propostas de melhoria das políticas públicas pertinentes ao setor são um dos serviços oferecidos pelo Instituto.

O coordenador do Ifag, Fernando Borges, explica que a proposta do Ifag é realizar pesquisas em parceria com outras instituições, subsidiando demandas pontuais, com informações estratégicas sobre o setor. Como exemplo destas inovações, ele cita as linhas de crédito, elementos que ajudam o produtor rural nos processos de inovação. Para Fernando, é necessário que o produtor tenha consciência do investimento e da destinação correta deste recurso. Entre as linhas citadas estão: o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), que apoia investimentos necessários à incorporação de inovação tecnológica nas propriedades rurais, visando ao aumento da produtividade, à adoção de boas práticas agropecuárias e de gestão da propriedade rural e a inserção competitiva dos produtores rurais nos diferentes mercados consumidores.

Startups: o futuro do agronegócio

Estabelecer novas parcerias com instituições afins, alinhadas com o avanço do agronegócio goiano e brasileiro, com foco na criação de valor para os produtores rurais e o avanço do setor é que o Senar Goiás e a Faeg têm buscado. Foi exatamente com este propósito que o Sistema Faeg Senar Goiás criou no ano passado o programa ‘Desafio Agro Startup’. A proposta se baseia em promover empreendedorismo inovador e geração de ideias ao agronegócio. O programa surgiu em parceria com o Ifag, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Goiás (Sebrae Goiás) e Sindicatos Rurais (SRs).

Segundo o superintendente do Senar Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, a expectativa é proporcionar mais tecnologia para o desenvolvimento do agronegócio goiano, ao lado de lideranças jovens, que estão no campo. “É nosso dever viabilizar a construção de ideias, de novos negócios, a fim de compatibilizar tecnologia com a produção agrícola e pecuária”, explana. De acordo com ele, é necessário incentivar os participantes a pensarem no agronegócio, dentro de um ambiente tecnológico. “Estamos construindo um ecossistema, com base nas pessoas, profissionais, já que novas tecnologias têm surgido”, destaca. A premiação do Desafio Agro Startup será durante a Tecnoshow Comigo 2018, em abril, e dará como prêmio viagens para o Vale do Silício.

Crescimento Startups

Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) revela que nos últimos dois anos, quase quadruplicou a quantidade de startups ligadas à agricultura – as chamadas ‘AgriTech’, ou ‘AgTechs’. Estima-se que em todo País haja cerca de 200. De acordo com o analista de Inovação do Sebrae Goiás, Francisco Lima, um dos maiores pilares que garantem sustentabilidade e evolução econômica de um setor é a inovação. “Queremos, por meio do ‘Desafio Agro Startup’ estimular o ‘pensar o negócio’ a partir da ideia gerada”, explica.

Para ele, a pesquisa tem papel fundamental importância na geração de soluções para os problemas e potencialidades de toda a cadeia. No entanto, a distância entre a solução gerada e a absorção da nova tecnologia pelo mercado ainda é um problema. “Pesquisas tecnológicas precisam ser acompanhadas pela validação de negócios, a fim de que estas consigam se tornar um produto ou serviço inovador, que efetivamente sejam colocadas no mercado e gerem valor para os consumidores”, avalia.

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