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Jabuticaba se despede da temporada 2017

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Cap 4Tem cheiro e gosto de infância. A casca grossa, de cor preta roxeada esconde bem o doce sabor da frutinha que já virou prato salgado, sobremesa, licor, cachaça, vinho e até música. A jabuticaba movimenta a economia, é atração turística, ponto de encontro e fonte de saúde. Neste mês de novembro, as jabuticabeiras remanescentes das floradas de setembro fecham a temporada e descansam, sem pressa, até a primavera do ano que vem.

O município de Hidrolândia, conhecido como a terra da jabuticaba, abriga mais de 50 propriedades que cultivam a fruta em escala comercial, segundo a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater). A estimativa da agência é de que a temporada no município feche com uma produção bem inferior à do ano passado, que foi de 1,9 mil toneladas.

A justificativa vem do céu. Aliás, não veio. “A falta de chuva castigou muito os produtores este ano, já que a estiagem interfere na florada. Quem usou o sistema de irrigação antecipou a temporada e conseguiu frutos melhores, maiores e mais doces. Já aqueles que dependem das chuvas, encerrarão novembro com prejuízos”, explica o engenheiro agrônomo da Emater, Geovane de Carvalho Ferreira.

A técnica de irrigação garantiu, de setembro a novembro, os pés carregados no maior jabuticabal do Brasil e do mundo, localizado no distrito de Nova Fátima, em Hidrolândia, com 42 mil jabuticabeiras plantadas em uma área de 120 hectares. Segundo o engenheiro agrônomo e responsável pelo manejo do pomar da Fazenda Jabuticabal, Paulo Antônio Batista, a estiagem não interferiu na produção das jabuticabas, que deve fechar este ano com 150 toneladas. A safra da fazenda segue até o dia 15 de novembro e, após o período de visitas, as frutas são transformadas em produtos como licor, vinho, doce, geleia, entre outros.

Já na fazenda de Elvécio Henrique Dorneles, que tem 200 jabuticabeiras, a falta de chuva prejudicou a safra deste ano. Ele ainda não quantificou a produção desta temporada, mas afirma que o prejuízo deve ser pequeno. “Nós fazemos o turismo rural e a venda por quilo. O pomar não ficou cheio como nos anos anteriores, mas como minha atividade principal não é a jabuticaba, a produção menor não vai gerar tanto impacto nas contas”, ressalta o produtor, que também trabalha com o gado leiteiro.

Produtora de jabuticaba há mais de 25 anos, Yara Borges Rezende está com a produção de 2 mil pés e iniciando o replantio de outros mil. O pomar também está sendo castigado pelo sumiço de São Pedro. “Mesmo com a nossa irrigação, algumas frutas não ficaram grandes e cheias por causa do tempo quente e seco. Estávamos com a expectativa de ter frutas até o final de novembro, mas a falta de chuva vai encerrar a temporada bem antes”, lamenta.

Economia

Durante a temporada da ‘frutinha que explode na boca’, o turismo rural é uma das principais fontes de renda dos produtores. Só na Fazenda Jabuticabal, são mais de 3 mil visitantes por semana. Além das 42 mil jabuticabeiras, o visitante pode conhecer a Vinícula Jabuticabal e ter acesso a restaurantes, soverterias, lojas de produtos artesanais, entre outros espaços. Neste período, a fazenda gera mais de 50 empregos diretos. “Nós temos hoje um complexo grande e, para gerir tudo da melhor forma para os visitantes, contratamos trabalhadores temporários. Vamos ampliar esse quadro assim que recebermos o selo IBD Orgânico. Queremos oferecer uma fruta totalmente orgânica, o que requer mais trabalho”, explica Paulo Antônio Silva, o criador da vinícola e um dos donos do pomar.

Tanto a maior fazenda do País quanto os pequenos produtores de Hidrolândia geram grande potencial em termos econômicos e sociais, segundo a técnica da Emater, Alenir Batista Souza. “Nessa época aumenta o número de vendedores em beira de estrada e trabalhadores temporários, que buscam uma renda extra. Além de incentivar a agricultura familiar, movimentando a economia da cidade”, explica.

Manejo
Não há estudos concluídos sobre o manejo da jabuticaba e como combater as doenças que causam a morte da planta. Em média, há uma perda de 10% dos pomares por ano. "Os produtores trabalham com experiências que adquiriram ao longo do tempo. Apesar de ser atrativa economicamente, não existe investimento em pesquisa de manejo como em outras plantas frutíferas. Não vemos, por exemplo, trabalhos de melhoramento genético e de seleção. O mercado da jabuticaba in natura ainda é bem rústico", explica o analista técnico do Instituto para o fortalecimento da Agropecuária de goiás (Ifag), Alexandro Alves.

Na Fazenda Jabuticabal, o manejo é feito manualmente, uma a uma. "Nós deixamos de usar herbicidas há cerca de um ano. Desde então, a retirada de ervas daninhas é feita pé por pé. Assim como a identificação de algumas pragas, como o besouro que perfura o caule da árvore em busca da seiva e pode matar a planta. A forma de eliminar o inseto é com a injeção de veneno em cada um dos pontinhos", afirmou. Cuidar dos 42 mil pés é trabalhoso, mas ele reforça que vale a pena.

No quintal

A plantação de jabuticaba não é atividade exclusiva do comércio. Ela também é sombra e sobremesa. No ateliê da assistente social Márcia Coutinho Rodrigues em Goiânia, a jabuticabeira divide espaço com uma horta. Mas a planta não é ciumenta, já que grande parte dos cuidados do jardim é destinado a ela. “Desde que alugamos o espaço, há cerca de quatro anos, nós mantemos os cuidados com o pé, regando e podando os galhos. Eu sou a pessoa que mais cuida do pé e quando não estou lá, deixo recomendado os cuidados para as 12 pessoas que trabalham no espaço”, disse Márcia, que costuma chamar o local, onde a jabuticabeira está plantada de centro de recuperação. A equipe aguarda, agora, a segunda frutificação do ano.

Agricultura urbana
A agricultura está cada vez mais criando raízes fora da zona rural. Pomares e jardins, com jabuticabeiras e outras frutas, já estão compondo não só a decoração de casas e apartamentos, mas fazendo parte de uma vida mais saudável dos goianos. Para capacitar e incentivar a agricultura nos centros urbanos, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás) realiza, desde 2014, o programa Agricultura Urbana. “Hoje se fala muito em procedência dos alimentos, dos defensivos agrícolas como vilões da saúde. Então, a demanda por pomares e hortas nos centros urbanos cresceu muito e o projeto vem atender a essa necessidade”, explica a gerente de Formação Profissional Rural, Samantha Andrade.

O programa é destinado a grupos em escolas, empresas e condomínios que se interessam pela capacitação. “Um prestador de serviço vai até o local solicitado, que deve ter no mínimo 12 pessoas, e realiza a capacitação, com emissão de certificado. Ele ensina a plantar uma jabuticabeira, um pé de laranja, morangos, alface. Vai depender o tamanho do espaço e da necessidade do grupo”.

Como cultivar em casa
A jabuticabeira pode ser cultivada em jardins, quintais, pomares comerciais e até em vasos para sacadas de prédio. Como as mudas produzidas por meio de sementes normalmente frutificam somente após o décimo ano, o engenheiro agrônomo e mestre em produção vegetal, Lucimar Andrade de Lima, indica o uso de plantas enxertadas, que podem ser adquiridas em viveiros e que começam a fase de floração bem mais cedo, com até dois anos. Nesses locais também é possível encontrar mudas já em fase de frutificação por um preço que pode chegar a R$ 700, dependendo do tamanho.

A segunda dica de Lucimar é escolher um local com bastante luminosidade, já que a jabuticabeira utiliza a luz do sol para fazer fotossíntese. "Se ela não tem luz suficiente, ela pode morrer por falta de energia. É necessário que essa planta fique exposta, no mínimo, a 8 horas de luz", informa. Ao escolher o local iluminado, deve-se pensar no espaço para a raiz. "Se for em vaso, o recomendado é que esse recipiente seja de cerâmica ou concreto. Vasos de plástico racham com mais facilidade. O tamanho desse vaso vai definir o tamanho da sua planta. Um recipiente de 20 litros pode gerar uma planta de 2 metros de altura".

O substrato para a planta enraizar deve ser poroso, como a fibra de coco e vermiculita. Adicione o adubo e, para que não haja acúmulo de água e apodrecimento das raízes, deve-se fazer um dreno. "Basta fazer um furo no fundo do recipiente com 2 centímetros de diâmetro. Depois, coloque uma camada de 5 centímetros de argila expandida ou pedra britada, sem tampar o buraco para dreno. É recomendado usar ainda adubo de liberação lenta. Uma colher de sopa a cada três meses", informa Lucimar.

Se for plantada em solo, a área adequada, segundo o engenheiro agrônomo, é de seis metros quadrados. "Para plantar, basta fazer uma cova de 40 centímetros de largura e 40 centímetros de altura. Nessa cova, é necessário colocar matéria orgânica, adubo fosfatado e uma fonte de calcário. A medida em que cresce, pode fazer adubações orgânicas ou químicas". As proporções podem seguir 60 litros de terra, 40 litros de esterco curtido ou composto orgânico, 200 gramas do adubo químico superfosfato simples e 200 gramas de calcário.

O engenheiro explica ainda que os cuidados com a jabuticabeira são os mesmos para as duas situações. "No vaso, a planta pode ser irrigada duas vezes por semana e a de quintal, pelo menos uma vez. Excesso e falta de água são prejudiciais. As podas dos galhos secos também devem ser feitas, sem deixar resquícios para evitar a entrada de doenças", indica. O pomar deve estar sempre limpo. É preciso fazer a roçagem da matéria orgânica.

Capt5A fruta amiga da juventude, da memória e do emagrecimento

A nutricionista e professora da Universidade Federal de Pelotas, Ângela Giovana Batista, destaca que a jabuticaba é rica em compostos bioativos, antioxidantes, vitaminas, fibra e muitos minerais. Na fruta são encontrados ferro, fósforo, vitamina C e niacina, uma vitamina do complexo B que facilita a digestão e ajuda a eliminar toxinas.

Ela desenvolveu durante alguns anos uma pesquisa de doutorado na Unicamp sobre a jabuticaba e testou as propriedades da fruta no combate a doenças como a obesidade, diabetes, excesso de colesterol e de triglicerídios. "A gente verificou que a casca consumida diariamente diminui o ganho de peso e os níveis de glicose no sangue. Nós também descobrimos recentemente que a casca contribui para o melhor desempenho de memória e aprendizado, além de bons resultados contra doenças no intestino", explicou.

A nutricionista destaca que, apesar da poupa ser rica em açúcares e algumas fibras, a maior concentração de compostos antioxidantes, por exemplo, fica na casca, que é a mais descartada. "Esse costume de jogar fora a melhor parte tem que ser mudado. Isso vale não só para a jabuticaba, mas para outros legumes e verduras. Nós alimentamos nosso lixo todos os dias", alerta.

Ângela dá algumas dicas de como utilizar a casca. "Se a pessoa não consegue comer, pode utilizar na produção de uma geleia, sucos e até chá. O sabor vai ser diluído com os outros, mas é uma forma de se começar a introduzir esse hábito". Outra opção, segundo a nutricionista, é transformar a casca em farinha. É só colocar no forno a uma temperatura mínima, por cerca de cinco minutos e depois passar no processador.

A engenheira de alimentos, Clarissa Damiani, doutora em Ciência dos Alimentos e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que a jabuticaba é uma das frutas mais perecíveis. Depois que é colhida, a vida útil dela é de até três dias, desde que lavada e armazenada na geladeira. "A fruta continua respirando e tendo processos metabólicos mesmo após a colheita, que é feita quando ela já está madura. Após três dias ela vai começar a fermentar, já que é rica em açúcar. Nesse estágio, a fruta muda o aroma, a cor e a textura, e não deve ser consumida", ressalta Clarissa, que indica produtos processados para quem quer continuar consumindo a fruta após a temporada. "Sucos, geleias, doces podem substituir a fruta ao longo do ano, lembrando que a quantidade de nutrientes será menor, já que o produto passa por processamento".

Texto: Kamylla Rodrigues, especial para a Revista Campo

Fotos: Fredox Carvalho

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