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Legado coletivo do Agrinho

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Mariana Cabeceiras Fredox CarvalhoA estudante Mariana Machado dos Santos, 16 anos, guarda em um canto especial da memória 2014. É que em dezembro daquele ano ela foi uma das vencedoras do Programa Agrinho, iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), e outro parceiros, que chega a uma década em 2017, abrangendo 20 mil professores em todos os municípios goianos. Nesta edição, o tema debatido é Fontes de energias renováveis e a premiação ocorre no dia 24 de novembro, em Goiânia.

Com uma crônica sobre a relação entre esporte, meio ambiente e cidadania, Mariana, moradora de Cabeceiras, ficou em primeiro lugar na regional Nordeste. “Adquiri muito conhecimento e o dia da premiação é muito revigorante. Quando subi no palco, vi na plateia muitas pessoas importantes. Me senti bastante valorizada como aluna. É um incentivo maior para escrever, se dedicar”, analisa ela, que à época cursava a 8ª série e guarda com carinho a medalha e o diploma recebidos.

Em 2014, a escola em que estudava fez um projeto sobre crônicas, com oficinas desenvolvidas a partir do material do Senar e da Faeg e orientadas pela professora de português. Aproveitando o período de Copa do Mundo, sediada no Brasil, Mariana abordou o caso de torcedores japoneses que vieram aos país para o torneio e recolheram o lixo deixado nas arquibancadas. “Mostrei como o meio ambiente influencia no futebol e nos esportes olímpicos”, recorda a estudante, que hoje está no 2º ano do Ensino Médio e sonha em cursar Medicina.

A Cabeceiras, aliás, é um exemplo da adesão ao Agrinho em escolas e em municípios. O pai dela, o professor Simar José Machado, comandou entre 2014 e 2015 a reformulação curricular da rede municipal, quando ocupou o cargo de secretário de Educação. Ele havia conhecido o Agrinho por meio do Sindicato Rural (SR) e viu na metodologia adotada pelo programa uma forma de trabalhar assuntos transversais, como cidadania e meio ambiente.

Ao todo, são seis escolas municipais que atendem cerca de 900 alunos, da educação infantil ao 9º ano. “É um material rico e são temas que despertam a consciência das crianças. Com a inclusão do Agrinho no currículo, conseguimos formar o aluno e levá-lo a refletir sobre temáticas que vão valer para a vida toda. É uma semente. O objetivo nem era ganhar prêmio. A premiação maior seria criar a consciência ambiental das crianças e dos pré-adolescentes”, analisa ele, que hoje é gestor de projetos do município e é formado em Geografia.

Legado

Criado em 1995, no Paraná, o Agrinho surgiu da necessidade de orientar trabalhadores rurais quanto ao uso adequado de defensivos agrícolas. Em 2008, chegou a Goiás com ações de que mobilizam o ensino público e privado e seus principais personagens: gestores, coordenadores, professores e alunos.

Presidente da Faeg e do Conselho Administrativo do Senar Goiás, José Mário Schreiner, analisa que o programa “é transformador porque forma cidadãos mais conscientes, em um mundo mais justo”. Ele frisa que a iniciativa parte da “confiança e no trabalho dos educadores e professores de nosso estado. É um programa transformador. Nos enche de orgulho acompanhar os resultados alcançados nesses mais de 10 anos do programa no Estado”.

A coordenadora de ações e projetos do Senar Goiás, também coordenadora do Agrinho, Fátima Araújo, ressalta a herança deixada nas cidades. “Uso sempre a palavra legado para falar do programa. No próprio desenvolvimento dos projetos já existem resultados positivos e inúmeras ações ficam para a comunidade”, afirma. Em uma década, comemora a coordenadora, a iniciativa chegou a todos os 246 municípios goianos. A adesão ao programa registrou aumento significativo, ao longo dos anos.

Em 2008, na primeira edição, 27 cidades participaram. Em 2017, o número chegou a 219 (veja quadro), o maior já registrado. Ela explica que o programa tem cinco etapas, que vão da escolha do tema à produção de material pedagógico; lançamento e capacitação dos formadores; formação do agentes educacionais e desenvolvimento dos trabalhos, nas instituições de ensino; inscrição dos projetos e a premiação. “Nesse ano, chegamos ao maior número de municípios participantes e tem instituição que se inscreve todo ano. Perceberam o quanto é importante para o currículo”, ressalta.

Visibilidade


Para as escolas rurais, o Agrinho ganha um tom especial: dá visibilidade às unidades de ensino, como comemora a professora Odília Soares, da Escola Municipal São Pedro, localizada a 18 quilômetros de Jaraguá. Desde a primeira edição – em 2008 – a unidade de ensino participa do programa. “Sou apaixonada pelo Agrinho”, diz ela. “Por se tratar de uma pequena escola no meio rural, a gente existia, mas não era visto. A partir do programa, a escola cresceu e começaram a valorizar a nossa comunidade”, explica ela, nascida e criada na região.

Na Escola São Pedro, que atende cerca de 75 crianças que vivem na região. Lá, uma horta é uma das heranças do Agrinho, fruto das atividades desenvolvidas quando o programa abordou a relação entre alimentação saudável e meio ambiente. Em 2012, veio o primeiro prêmio para um aluno da unidade. Na época, pais, professores e estudantes se mobilizaram em torno do tema empreendedorismo e meio ambiente. “Aproveitamento de retalhos, pais vieram para a escola, fizeram bolsas. Foi marcante”, recorda.

Para Odília, a primeira década do Agrinho, em sua escola, pode ser definida pelo crescimento pessoal, da escola e da conscientização ambiental. Um exemplo é o número de queimadas, que segundo ela diminuiu bastante depois que a temática ambiental passou a ser trabalhada nas escolas. “A gente tinha muitos casos na região. Depois do Agrinho, é raro ver alguma. Dá para perceber o quanto o Agrinho mudou as atitudes das pessoas”, frisa.

Estreia


A décima edição do Agrinho também será marcada pela chegada de docentes que estão participando pela primeira vez do programa. É o caso do projeto inscrito pelo professor Adalberto Antunes, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), no Câmpus Ipameri. Mobilizando alunos de Engenharia e Agronomia da universidade, ele desenvolve há cinco anos um trabalho de criação de hortas em escolas, abrigos e asilos da cidade.

Em 2017, incentivado por uma professora da educação básica que já conhecia o programa, inscreveu sua iniciativa na categoria Agrinho Município. “Fazemos compostagem das folhas e transformamos em adubo para cuidar da horta. Os alunos da UEG apresentam o projeto aos estudantes das escolas, que ajudam a irrigar e a colher os alimentos”, explica.

Professor Adalberto Fredox CarvalhoCouve, alface, cebolinha, tomate, mamãe e maracujá, entre outras frutas e verduras, saem direto do quintal das escolas para a panela, ajudando a complementar a merenda de uma forma sustentável. “Comecei com um projeto de doação de mudas, para envolver meus alunos e deixá-los menos ociosos, já que 90% deles não são de Ipameri e depois das aulas não tinham atividades. Uma professora soube e veio atrás, propondo o desenvolvimento de hortas”, recorda.

Neste semestre, o professor desenvolve a ação junto a sete escolas, dois abrigos e um asilo, mobilizando cerca de 40 universitários. O engajamento, segundo Antunes, possibilita uma formação mais humana e conectada com as necessidades da sociedade. “Fui conhecer a dificuldade das escolas públicas em conseguir a merenda. Eles recebem R$ 0,60 por aluno. A horta ajuda a complementar e a enriquecer a alimentação”, constata.

Premiação


O Agrinho fará a entrega dos prêmios no dia 24 de novembro, em Goiânia, dos trabalhos desenvolvidos ao longo deste ano. Serão 326 premiados – contando os dois carros - , em diferentes categorias, que terão seus trabalhos avaliados pela Comissão Institucional Julgadora, organizada pelo Senar Goiás. A premiação será dividida conforme as 12 regionais do Sistema: Metropolitana, Centro Leste, Centro Norte, Médio Norte, Nordeste, Leste, Sul, Oeste, Extremo Sudoeste e Vale do Araguaia.

O programa contempla quatro categorias: Desenho, Redação, Agrinho Jovem, Município Agrinho. Orientador e alunos são premiados com valores em dinheiro, smartphones, viagem técnica e tablets. O primeiro colocado – o melhor projeto - entre os primeiros lugares de cada uma das 12 regionais, na categoria Município Agrinho, ganha um carro. Outro veículo será sorteado entre as outras 11 instituições de ensino participante.

Diene Batista, especial para a revista Campo

Fotos: Fredox Carvalho

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