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Mercado de sêmen bovino amplia vendas internas e exportações

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boiAgregar peso no rebanho e eficiência na atividade pecuária a um custo acessível. Os atrativos da biotecnologia animal têm engordado o mercado de genética bovina no Brasil. De acordo com o relatório semestral do setor, o Index ASBIA 2017, divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), os primeiros seis meses deste ano registraram crescimento de 7,6% no mercado nacional de sêmen bovino e de 60,4% no mercado externo, quando comparados com o mesmo período de 2016. Os índices também demonstram que o potencial genético de uma das atividades motoras da economia do Brasil ainda tem muito espaço para ser explorado.

Foram comercializadas no primeiro semestre deste ano 4.685.507 doses, 330 mil a mais do que no mesmo período do ano passado. A pecuária leiteira registrou o maior crescimento: 24,8% superior ao mesmo período de 2016, passando de 1.692.396 para 2.112.896 doses de sêmen vendidas. Já a pecuária de corte teve uma leve retração de 3,4%. Em números, foram 2.572.611 doses este ano contra 2.662.547 em 2016, nessa atividade.

O diretor técnico da Asbia, Luis Adriano Teixeira, relaciona o salto na venda de sêmen de raças leiteiras aos custos menores de produção, principalmente na alimentação, o que possibilitou maior margem para o produtor leiteiro. Já a queda na venda de sêmen para rebanho de corte, segundo ele, esteve associada ao momento político e financeiro do país. "Para o gado de corte, o pecuarista teve mais cautela devido às operações da Polícia Federal, delações, os embargos de exportação e a possível volta do Funrural. Mas nós enxergamos essa retração positiva, porque foi abaixo do esperado. Percebemos que o pecuarista de corte manteve suas intenções de investir em genética", explica.

Luis Adriano acredita que o mercado está reagindo. "Os números do segundo semestre devem ser superiores, já que esses pecuaristas postergaram a compra do sêmen para o período de monta, vislumbrando um cenário menos nebuloso. O mercado, visto de julho para frente, teve uma retomada. Então, é possível que a gente feche o ano com saldo positivo e continue crescendo", afirma. A venda de botijões de sêmen de até 20 litros também registrou crescimento no primeiro semestre deste ano, segundo a Asbia. Foram 1.624 botijões em 2017 contra 1.265 na primeira metade do ano passado. Um aumento de 28%, impulsionado pela pecuária leiteira, que teve quase 25% de elevação.

Resultados


Os resultados completos de vendas por raças no mercado nacional de 2016 (dado mais recente) mostram que as principais raças de corte comercializadas foram Angus e Nelore, com 5.793.172 doses no total na pecuária de corte; e Holandês, Jersey e o Gir Leiteiro, com 3.154.473 de doses na pecuária de leite. O principal destaque foi a raça Angus, que apesar do recuo de 5% em relação a 2015, entre 2010 e 2016, as vendas cresceram 214%. O Brasil é referência na América do Sul em exportação de sêmen bovino. O primeiro semestre deste ano fechou com um crescimento de 60,4% nas exportações e com forte aumento nas vendas externas de sêmen das raças de corte. Os principais destinos dessa genética foram Bolívia e Paraguai. Nas vendas de sêmen de raças leiteiras, as maiores exportações foram registradas para a Colômbia e o Equador.

Vendas


O administrador e dono da empresa Cempa Consultoria e Pecuária, Carlos Eduardo Meira Pinelli de Abreu, afirma que entre 2015 e 2016, as vendas de sêmen duplicaram, atingindo a marca de 10 mil doses no ano passado. Ele atribui esse resultado à mudança no perfil do pecuarista. “O produtor tem procurado um touro cada vez melhor, mais provado, aumentando o número de vacas inseminadas e melhorando o desempenho do rebanho. Antes os produtores procuravam o que era mais barato. Hoje ele procura o melhor resultado para não perder tempo, nem dinheiro”, avalia.

Com 700 fêmeas inseminadas na fazenda em Porangatu, o pecuarista Carlos Garcia investe no melhoramento genético. “Este é nosso quinto ano trabalhando com sêmen de corte e os resultados são fantásticos. O padrão do meu rebanho hoje é completamente diferente do que eu tinha há 5 anos. Nós avaliamos o preço, mas o que buscamos são sêmens que vai atender as necessidades do plantel”, conta.


Inseminação artificial: democratizar a excelência


A biotecnologia mais empregada nas propriedades rurais brasileiras é a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que, diferente da Inseminação Artificial convencional, elimina a necessidade de observação de cio. Por meio da técnica é possível sincronizar as inseminações, obtendo como resultado animais homogêneos e com a mesma qualidade.

Com o avanço da IATF, o número de procedimentos atingiu 7,8 milhões em 2016, segundo a Asbia. Essa tecnologia democratizou e acelerou o melhoramento genético. "A técnica tornou acessível para qualquer pessoa do planeta a utilização dos melhores reprodutores existentes. Sêmens de touros milionários puderam entrar nas fazendas de vários pequenos e médios pecuaristas, que nunca teriam condições de comprar o animal e eles perceberam que a qualidade da genética influencia fortemente o resultado econômico", ressalta o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg, Maurício Velloso.

Segundo ele, a IATF é o caminho mais curto para melhorar o perfil do rebanho, já que o sêmen é proveniente de um touro provado, de que se tem conhecimento prévio e seguro da padronagem do gado resultante. "É um verdadeiro upgrade nas características daquele rebanho. Hoje é possível ter um acompanhamento técnico de todos os touros reprodutores das empresas de inseminação. Você sabe qual produz bezerros sexualmente precoces, qual produz fêmeas mais leiteiras, com melhor proporção de cortes das carnes nobres. É possível saber também quais imprimem bom temperamento em seus descendentes, aqueles que geram bezerros com menos chances de doenças de casco, e ainda com aumento de peso na desmama dos bezerros. São filhos que têm melhores expansão pulmonar e troca sanguínea, ou seja, são mais saudáveis. Além disso, são superiores na conversão alimentar, que é quando o boi consome a mesma coisa e produz mais. Ou seja, a pecuária cumpre seu papel de sustentabilidade usando menos tempo e recurso e gerando mais produto e renda com melhor qualidade", elenca.


Custo


O investimento em genética representa, em média, 3% do custo total de produção dentro da fazenda e é um dos que mais dão retorno na relação custo-benefício. "É um percentual muito baixo dentro da composição total de custo, mas é por meio da IA que o produtor terá um animal com melhor resposta ao manejo, à nutrição, à suplementação e a sanidade, além de uma genética muito melhor", ressalta Maurício.

Cada dose de sêmen convencional custa de R$ 15 a R$ 25, com variações que dependem das características e do tamanho do rebanho. Com a estrutura da Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF) e com o pagamento do profissional que aplica a técnica, o custo total por produto nascido gira em torno de R$ 70. "A inseminação no gado de corte daria uma arroba a mais, encurtando até seis meses o período de abate daquele animal, com um retorno até três vezes maior do que o investido. No gado leiteiro, a vaca pode aumentar em mais de 30% a produção de leite", reforça.

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A administradora de empresas de Itaberaí, Claudia Rocha do Val, está no mercado de sêmen há oito anos e buscou a inseminação artificial visando seleção das vacas mais produtivas, maior padronização dos lotes no confinamento e melhoramento genético gradativo do rebanho. “Busco sêmen de touros com DEPs equilibradas que atendam meus objetivos de mais precocidade sexual, habilidade materna, eficiência alimentar e acabamento de gordura”, explica. O rebanho de Claudia é composto por 2.500 cabeças, sendo 900 matrizes. Destas, 800 estão sendo inseminadas. Os resultados colhidos com a técnica de Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF) permitiram ampliar a margem de lucro e a produtividade. “A técnica tem aumentado a fertilidade das fêmeas, desmamado bezerros mais pesados, acelerado a recria e proporcionado maior rendimento de carcaça no abate, uma vez que é realizado o ciclo completo, além da melhoria genética”.


Claudia é uma das clientes da empresa de consultoria em melhoramento genético Cria Fértil, que acumula, no histórico de mais de duas décadas, acima de um milhão de bezerros produzidos. É a empresa que mais inseminou vacas no Brasil, atuando em Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará. Cerca de 80% do sêmen que a empresa vende é entregue dentro da vaca. O consultor em produção de gado de corte da empresa e médico veterinário, Ricardo Passos, ressalta que melhorar o rebanho é uma estratégia de sobrevivência para o pecuarista e o mercado tem muito espaço para ser explorado.

De acordo com a Asbia, o mercado de sêmen movimenta mais de R$ 1,4 bilhão por ano. Em 2016, a comercialização interna absorveu mais de 6 milhões de doses para rebanhos de corte e de leite. Atualmente o Brasil conta com 218 milhões de bovinos, sendo 90 milhões de vacas. Apenas 9,4% das fêmeas em idade reprodutiva são inseminadas. Goiás está acima da média nacional para o gado de corte com 10,9%. Já a IA no gado de leite representa 15,5%, mas Goiás fica abaixo, com 9,8% de inseminações.

Ricardo Cesar atribui o motivo para esse índice, ainda tímido, à cultura conservadora do pecuarista e frisa que há espaço para ser explorado. "Nós temos tecnologia e conhecimento que podem triplicar a nossa produtividade, mas essas ferramentas não são exploradas em sua totalidade porque o pecuarista ainda enxerga a atividade mais como imobiliária do que produtiva. Nos países mais desenvolvidos a taxa de vacas leiteiras inseminadas chega a quase 100%. Nosso efetivo de vacas, que está perto de 90 milhões, é maior do que o rebanho do Uruguai, da Argentina e da Austrália. Mas, desses 90 milhões, mais da metade das matrizes fica vazia por ano. Ou seja, nós temos menos de 50 bezerros por cada 100 vacas", explicou o veterinário.

Estudioso do mercado, o profissional destaca que dos 1,7 milhões de produtores brasileiros, 1,4 estão em processo de saída da atividade porque estão incapacitados financeiramente. "A pecuária é muito rentável, mas quando não se utilizam essas ferramentas que vão melhorar sua produtividade, as chances de fracasso são grandes. Nós vemos com maior vigor a tecnologia aplicada na soja, no milho, na cana-de-açúcar, mas na pecuária isso ainda gera incertezas. Para se ter uma ideia, 80% dos touros nas fazendas não possuem registro de genealogia. Então, estamos com o maior rebanho do mundo, mas produzindo abaixo de nossa capacidade", revela.

Além dos investimentos em tecnologia e estrutura para o melhoramento genético, Ricardo reforça a necessidade de capacitação. “A Faeg, por meio do Senar, é uma das maiores fornecedoras de treinamento e capacitação rural no Brasil com cursos gratuitos sobre inseminação”. Ele completa ainda destacando a importância da contratação de equipes profissionais, que além de vender vão indicar os melhores caminhos para o rebanho.

Pesquisas

O cenário político e econômico do País também afetou as pesquisas em diversos setores, inclusive na pecuária. Segundo a pesquisadora em Reprodução Animal da Embrapa Gado de Corte, Alessandra Corallo Nicacio, o Brasil tem posição de destaque na literatura científica voltada para a reprodução e produção animal, mas os cortes de orçamento podem prejudicar os trabalhos que estão em andamento.

Atualmente, a Embrapa conta com estudos sobre criopreservação de sêmen, resfriamento de sêmen, inseminação artificial em tempo fixo (IATF), diagnóstico e imunização de animais para doenças de esfera reprodutiva, produção de embriões in vitro, criopreservação de óvulos e embriões, desenvolvimento de novas metodologias para a produção de embriões, entre outros temas que estão disponíveis para os produtores. “A Embrapa está inserida em pesquisas em todas as biotecnologias reprodutivas e participa ativamente na geração de tecnologia para a reprodução animal, tanto para gado de corte quanto para gado de leite. Acreditamos que um cenário menos tumultuado dará força novamente para o trabalho dessas pesquisas que são de extrema importância para o desenvolvimento do País”, reforça Alessandra.

Kamylla Rodrigues, especial para a Revista Campo

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