
Estudos apontam que áreas recuperadas podem aumentar a produtividade em até quatro vezes, passando de cerca de cinco arrobas de carne por hectare ao ano para até 20 arrobas em sistemas bem manejados. Cursos gratuitos do Senar Goiás contribuem com melhoria
Com planejamento forrageiro, correção do solo e manejo adequado do gado, pecuaristas podem recuperar áreas degradadas e garantir alimento para o rebanho ao longo do ano. O período chuvoso é considerado um dos momentos mais estratégicos para quem deseja recuperar ou melhorar a qualidade das pastagens.
A presença de água no solo favorece a dissolução de insumos como calcário e fertilizantes, além de estimular o crescimento das forrageiras, criando condições ideais para o manejo e a recuperação das áreas de pasto.
Segundo a engenheira agrônoma e mestre em Produção de Ruminantes, Letícia Vilela, que também é instrutora do Senar Goiás em treinamentos sobre recuperação de pastagens, aproveitar esse período ainda chuvoso é fundamental para obter melhores resultados na pecuária.
“A água ajuda na diluição e na ação de insumos como o calcário e os fertilizantes, favorecendo a correção do solo e o desenvolvimento do capim”, explica.
Dados de pesquisas na área mostram que investir no manejo e na recuperação de pastagens pode trazer ganhos significativos para a pecuária. Estudos indicam que áreas recuperadas podem aumentar a produtividade em até quatro vezes, passando de cerca de cinco arrobas de carne por hectare ao ano para até 20 arrobas em sistemas bem manejados.
O potencial é grande, especialmente porque grande parte das áreas utilizadas pela pecuária brasileira ainda apresenta algum nível de degradação. Estimativas apontam que mais de 60% das pastagens do país apresentam algum grau de degradação, o que reduz a capacidade de suporte do rebanho e a produtividade das propriedades.
Além do ganho produtivo, recuperar áreas degradadas também é mais econômico do que abrir novas áreas de produção. Estudos indicam que restaurar pastagens pode custar até 72% menos do que expandir a produção por meio de desmatamento, além de contribuir para melhorar a fertilidade do solo e reduzir impactos ambientais.
Entre as práticas mais simples e acessíveis está o manejo correto do pastejo. De acordo com a especialista, apenas organizar melhor a permanência do gado nas áreas já pode trazer benefícios significativos para o pasto.
“Uma ação que praticamente não tem custo para o produtor é fazer a alternância do gado entre os pastos. O animal permanece por um período em determinada área e depois é transferido para outra, permitindo que o capim descanse e se recupere”, afirma.
Esse sistema evita o sobrepastejo, quando o gado permanece por muito tempo no mesmo local, e permite que a planta rebrote com mais vigor. Letícia ressalta que não existe um período fixo para essa troca, pois o tempo de recuperação depende do crescimento do capim.
“O pasto precisa ser pastejado e depois descansar. Não existe um número exato de dias para isso. O produtor deve observar o desenvolvimento do capim e permitir que ele atinja novamente a altura adequada antes de retornar com o gado”, orienta.
Outra estratégia que contribui para melhorar o aproveitamento das pastagens é a divisão das áreas. Separar um pasto grande em partes menores permite controlar melhor o tempo de pastejo e o período de descanso do capim.
Segundo Letícia Vilela, o uso de cerca elétrica pode ser uma alternativa eficiente e mais econômica para essa organização.
“Dividir o pasto ajuda muito no manejo. Uma área grande pode ser separada em partes menores, e a cerca elétrica é uma solução prática e mais barata do que a cerca fixa. Isso facilita o rodízio dos animais e melhora o aproveitamento da pastagem”, explica.
Correção do solo
A aplicação de calcário também é considerada uma prática importante no processo de recuperação das pastagens. Além de corrigir a acidez do solo, o insumo contribui para melhorar as condições de crescimento das plantas.
“O calcário não atua apenas na correção da acidez. Ele fornece cálcio e magnésio, melhora o enraizamento do capim, favorece a infiltração de água no solo e estimula a atividade de microrganismos importantes para a fertilidade”, destaca a agrônoma.
Ela ressalta que o ideal é que a aplicação seja feita com base em uma análise de solo, que indica a quantidade correta do insumo a ser utilizada.
“Mesmo que os resultados não apareçam de forma imediata, aplicar calcário agora, aproveitando as últimas chuvas, ajuda a preparar o solo para que a pastagem responda melhor no próximo período chuvoso”, acrescenta.
Outra alternativa recomendada pelos especialistas é a vedação de áreas de pastagem, especialmente em capins do gênero braquiária. Nesse sistema, o produtor mantém uma área sem pastejo por determinado período para formar uma reserva de forragem.
“O produtor pode vedar uma área e deixar o capim crescer. Quando ele atingir aproximadamente a altura do joelho e ainda houver algumas chuvas, é possível colocar o gado rapidamente para retirar apenas as pontas do capim e depois fechar novamente a área”, explica Letícia.
Segundo ela, essa prática ajuda a manter folhas verdes por mais tempo e garante uma pastagem com melhor qualidade para uso no período seco, quando a oferta de alimento costuma diminuir.
Investir no manejo e na recuperação das pastagens pode trazer ganhos expressivos para a pecuária. Áreas recuperadas aumentam a capacidade de suporte da propriedade e permitem produzir mais carne ou leite na mesma área.
Além do aumento de produção, a recuperação das pastagens também contribui para melhorar a fertilidade do solo, reduzir custos de produção e tornar a atividade pecuária mais sustentável.
Produtores interessados em aprender mais sobre o tema podem participar dos cursos oferecidos pelo Senar Goiás. A instituição disponibiliza o curso presencial Manejo de Pastagens, que pode ser solicitado nos sindicatos rurais e possui agenda disponível no site do Senar Goiás: https://sistemafaeg.com.br/senar/cursos-e-treinamentos/manejo-de-pastagens
Para quem prefere estudar a distância, também há a opção do curso on-line Recuperação de Pastagens Degradadas, disponível gratuitamente na plataforma de educação a distância do Senar Goiás: https://ead.senargo.org.br/curso/recuperacao-de-pastagens-degradadas
Para Letícia Vilela, o principal é que o produtor compreenda a importância do manejo contínuo das áreas de pastagem. “O pasto é a base da alimentação do rebanho. Quando ele é bem manejado e recebe os cuidados necessários, responde rapidamente e garante melhores resultados para a produção”, conclui.
Comunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag
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